A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil

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A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil

A partir de hoje o Pontos e Viagens em parceria com o Quero Viajar na Faixa, do nosso querido Augusto, traz com exclusividade para os nossos leitores uma série de artigos que analisa a evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil.

O conteúdo é indicado, acima de tudo, para aqueles leitores que estão começando no mundo dos programas de fidelidade brasileiros. Entretanto, serve também para os mais experientes se lembrarem do quão difícil era acumular pontos e milhas no passado.

Modelo Tradicional de Acúmulo de Pontos

Começamos nossa análise com uma viagem no tempo, visitando o modelo de acúmulo de pontos que existiu no Brasil até por volta de 2010.

Cortesia Quero Viajar na Faixa

Embora esse modelo de acúmulo de pontos praticamente desapareceu do mercado brasileiro, ele ainda está presente em basicamente todos os países do mundo. Em muitos mercados só existem duas formas de se acumular pontos: comprando com o cartão de crédito e voando.

Nos Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo, esse é o modelo dominante para acúmulo de pontos. Aqui, o mercado norte-americano tem uma particularidade que o torna quase único, os bônus de assinatura dos cartões de crédito são extremamente generosos.

A Evolução dos Programas de Milhas e Pontos – Anos 2010

A partir deste momento, o mercado de pontos e milhas do Brasil tomou rumo próprio, tornando-se basicamente um caso único no mundo. Muitos chegam a dizer que foi aqui que o conceito de fidelização se perdeu.

Livelo

Um dos grandes responsáveis por essa guinada no mercado brasileiro de pontos e milhas foi a chegada da Livelo, cujos principais acionistas são o Banco do Brasil e o Bradesco. A empresa democratizou e expandiu o acúmulo de pontos de tal maneira que mesmo aqueles que raramente voavam, passaram a acumular pontos.

Depois da Livelo tivemos a chegada, dentre outros, do programa Esfera do Banco Santander e mais recentemente do iupp do Banco Itaú, isso para se limitar aos principais do país. O grande diferencial destes programas é que os clientes acumulam pontos e depois decidem para qual programa de milhagens irão transferí-los.

A Compra de Pontos

O acúmulo de pontos, antes restrito aos cartões de crédito, ganhou um aliado importantíssimo – a compra. A Livelo passou a permitir que os clientes também comprassem pontos, fazendo com que o acúmulo fosse mais rápido.

Os Milheiros Profissionais

Este período marcou também o aparecimento de uma das figuras mais emblemáticas do mundo dos pontos e milhas no Brasil – os milheiros profissionais. Enquanto alguns os vêem como os principais responsáveis pela democratização das emissões de passagens com milhas, outros tantos os vêem como os principais responsáveis por alguns dos problemas que temos hoje.

Independente da minha ou da sua opinião, a fórmula fez sucesso e muitos fizeram fortuna com isso.

A Transformação dos Programas de Fidelização

A década de 2010 foi o período onde todas as engrenagens se moveram ao mesmo tempo! Enquanto o mercado não aéreo se transformava, as empresas também fizeram a sua parte. Eu particularmente acredito que aqui tivemos uma das principais contribuições para a perda da fidelização.

Seguindo as empresas norte-americanas, as brasileiras foram aos poucos abandonando as tabelas de acúmulo baseado na distância voada e passaram a atrelar a pontuação ao valor da passagem. Com isso, o passageiro frequente que comprava suas passagens com meses de antecedência perdeu espaço para os viajantes de negócios, que normalmente compram passagens em cima da hora.

Não só o acúmulo, como também a emissão de passagens, migrou para as tabelas dinâmicas. Ou seja, quanto mais cheio o voo, mais pontos serão necessários para se emitir um bilhete prêmio.

A Evolução dos Programas de Milhas e Pontos – Tempos Atuais

Desde 2010 o mercado de milhas e pontos está em constante evolução e novas formas de se acumular milhas e pontos não param de aparecer.

Uma das grandes novidades dos últimos anos foi o aparecimento dos aplicativos de pagamentos como PicPay, iti, Mercado Pago, etc. A grande vantagem desses aplicativos é que eles permitem o pagamento de boletos e, com isso, a geração de pontos e milhas nos cartões de crédito.

Voltando a falar dos clubes de pontos, além de permitir a compra mensal de pontos, os programas passaram a oferecer transferências bonificadas para os programas de milhas. Se por um lado isso turbinou o acúmulo de pontos a níveis nunca vistos antes, por outro, levaram a uma desvalorização agressiva das tabelas de pontos. Isto é, precisamos de cada vez mais pontos para emitir nossas passagens.

Algumas Palavras

Este artigo é apenas a introdução sobre a evolução do mercado de pontos e milhas no Brasil. Ao longo dos próximos dias, com a colaboração do Augusto, analisarei todos os aspectos do mercado atual.

Com a sua constante evolução, esse mercado que não pára de crescer, tornou-se complexo e pode ser uma armadilha aos principiantes.

Para Saber Mais

Para ler mais sobre esta série, clique nos títulos abaixo:

A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil – Compras com cartões de crédito

A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil – Clubes de pontos

A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil – Compras de pontos

A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil – Bônus de transferências de pontos

A evolução dos programas de milhas e pontos no Brasil – Aplicativos de pagamentos