Acumular pontos em programas nacionais ou internacionais?

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Acumular pontos em programas nacionais ou internacionais?

Todos nós sabemos que podemos acumular pontos nos programas nacionais (Smiles, Latam Pass e TudoAzul). Por outro lado, muitas pessoas não sabem que é possível acumular pontos nos programas internacionais com um cartão de crédito brasileiro. Vamos analisar a partir de agora se vale mais à pena acumular pontos em programas nacionais ou internacionais.

Neste artigo eu vou mostrar para vocês as opções de programas internacionais existentes hoje para transferências do Brasil e se essas valem à pena. Ao final, eu vou analisar se é mais vantajoso acumular pontos em programas nacionais ou internacionais.

Programas Internacionais Disponíveis no Brasil

Na semana passada, eu falei sobre a transferência da Livelo para as empresas aéreas internacionais, nesse post aqui. Os programas aéreos internacionais parceiros da Livelo são:

TAP Miles&Go
United MileagePlus
Aeromexico Club Premier
British Airways Executive Club
Iberia Plus
Etihad Guest
Alitalia MilleMiglia
Air France/KLM Flying Blue

A Popularidade do TAP Miles&Go no Brasil

A única parceira internacional da Livelo que possui transferência na paridade 1:1 é a TAP. Todas as outras parceiras possuem paridade 2:1, havendo, portanto, um deságio de 50% nos pontos transferidos.

Além da Livelo, os principais emissores de cartões de crédito do Brasil transferem os seus pontos para o TAP Miles&Go, programa que caiu no gosto dos brasileiros nos últimos anos, pelas ótimas emissões que oferece e pelas constantes promoções de bônus de transferência que superam os 100%, na maioria das vezes.

Apesar da polêmica que gira ao redor do modo de operar da TAP, seja quanto às dificuldades para emissão de bilhetes e para falar no atendimento telefônico ou sobre as taxas de emissão e de combustível cobradas (esta última em alguns casos), não podemos negar que trata-se de um ótimo programa.

Iberia Plus – Iberia

Por outro lado, destacamos os cartões de crédito emitidos pelo Banco Santander, que possui, para os cartões participantes do programa Esfera, parceria com o Iberia Plus na paridade 1:1, além de emitirem os cartões co-branded AAdvantage, única forma de acumular milhas no programa da American Airlines por meio de um cartão de crédito brasileiro.

A respeito do Iberia Plus, evidentemente a melhor forma de acúmulo é via Santander, que oferece paridade 1:1 para transferência dos pontos, além de promover as famosas promoções Bateu, Ganhou!, que turbinam o acúmulo de pontos em até 3x. Apesar disso, podem haver situações, como no caso da Livelo, onde mesmo uma transferência com deságio pode valer a pena.

Nesse caso, vou colar um exemplo enviado pelo Bernardo no post sobre a Livelo, que demonstrou muito bem essa situação. Segundo ele, “seriam necessários 85 mil pontos Livelo para fazer um trecho (em classe executiva – grifo nosso) GRU x MAD na Iberia. Comprando esses pontos a R$35 teríamos um custo de R$ 2.975. O mesmo voo pago custa hoje R$ 8.436 (usei como exemplo o dia 02 de março de 2021). Ou seja, vale a pena se olhar apenas o lado financeiro”.

Executive Club – British Airways

Uma outra opção interessante é transferir os Avios do Iberia Plus para o British Airways Executive Club, para voos curtos intra-Europa (ou mesmo em outras regiões), como podemos ver no exemplo abaixo:

Acumular pontos em programas nacionais ou internacionais?

Acumular pontos em programas nacionais ou internacionais?

Vejam que o valor de tabela para o resgate pelo programa BAEC, para o trecho Londres (LHR) – Amsterdam (AMS), é de 4.000 Avios + US$31 de taxas aeroportuárias. O mesmo voo, no mesmo dia, comprado em dinheiro no site da British Airways, custa £168. Considerando que US$31 equivalem a £23.30, temos o custo cobrado pelo bilhete de £144.70, que custam 4.000 Avios para emissão com pontos. Esse valor convertido pelo câmbio comercial de hoje, equivale a R$982,88.

Esse é apenas um exemplo do quanto é vantajoso utilizar os Avios para voos curtos intra-Europa ou mesmo com as companhias parceiras da Oneworld. Destaca-se, ainda, que o custo de US$31 de taxas aeroportuárias do exemplo acima, deve-se ao fato de ter saída de Londres (LHR), certo que em todos os outros casos, essas taxas são infinitamente mais baratas.

Com esses exemplos podemos constatar que as milhas internacionais são muito mais valiosas do que as milhas nacionais, mesmo com os generosos bônus de transferência existentes por aqui. E isso é uma coisa lógica, se pararmos para pensar, com a enxurrada de milhas despejadas no mercado, a inflação dos resgates é consequência natural disso, concordam?

AAdvantage – American Airlines

Outro exemplo de programa com milhas extremamente valiosas é o AAdvantage da American Airlines. Já tivemos muitas publicações a esse respeito aqui no Pontos e Viagens. Uma delas feita pelo Gabriel há um mês, discutiu se o melhor uso para essas milhas se dão com a própria American Airlines ou com companhias aéreas parceiras.

Nas palavras do Gabriel:

“A principal vantagem de utilizar milhas AAdvantage para resgate com outras companhias decorre da existência de uma tabela fixa e por região para voos com as parceiras, com ótimas opções de resgate, especialmente em executiva e primeira classe, enquanto que para voos com a própria American Airlines já foi implementada precificação flexível, que na prática permite a empresa cobrar em milhas quanto quiser”.

Alguns exemplos citados por ele nesse post são:

Econômica

  • Porto Alegre – Manaus por 7.500 milhas com a Gol Linhas Aéreas
  • Londres (Inglaterra) – Malé (Maldivas) por 20.000 milhas com a British Airways, Etihad Airways, Qatar Airways ou SriLankan Airlines

Executiva

  • Perth (Austrália) – Papete (Polinésia Francesa) por 30.000 milhas com a Qantas e Air Tahiti Nui
  • Auckland (Nova Zelândia) – Hong Kong por 40.000 milhas com a Cathay Pacific, Malaysia Airlines ou Qantas Airways.

Primeira Classe

  • Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) – Seul (Coréia do Sul) por 50.000 milhas com a Etihad Airways
  • Sydney (Austrália) – Singapura por 50.000 milhas com a Qantas Airways

Para emissões na própria American Airlines, temos com frequência emissões muito vantajosas, especialmente (para nós) entre o Brasil e os EUA, como tivemos em novembro de 2019, a conferir aqui e aqui, com trechos custando 15.000 milhas de qualquer lugar do Brasil ou 10.000 milhas saindo de Manaus.

Acumular pontos em programas nacionais ou internacionais?

Importante ficar de olho na tarifa Economy Web Specials, que é um tipo de tarifa, em classe econômica, que é apresentada em rotas específicas e que possui valores reduzidos para resgates, a partir de 5 mil milhas o trecho. Dessa maneira, os prêmios MileSAAver nem sempre serão os mais em conta.

Vale destacar também as excelentes alterações na política da empresa, em função da pandemia causada pela Covid-19, que vocês podem conferir aqui.

Miles&Go – TAP

Finalmente, a respeito do TAP Miles&Go, em julho de 2019, eles alteraram a tabela de emissões próprias para flexível, como vocês podem conferir aqui, deixando então de serem vantajosas, restando as emissões com as empresas parceiras por meio da aliança Star Alliance, que continuaram com a tabela fixa.

Um ponto muito favorável à TAP para nós brasileiros são os constantes bônus de transferência, que na maioria das vezes superam os 100%. Vou colar as tabelas aqui para facilitar a análise de vocês.

Classe Econômica

Classe Executiva

Primeira Classe

Portanto, uma passagem só de ida do Brasil para os Estados Unidos, voando com United, Avianca ou Copa, vai custar 35 mil pontos. Já em classe executiva, o valor será de 50 mil pontos.

Algumas Palavras

A considerar os valores estratosféricos que os programas nacionais praticam, principalmente para voos internacionais, acho extremamente válido investir nos programas internacionais.

À primeira vista pode parecer complicado, mas com algum estudo sobre esses programas, garanto que conseguirão tirar muito mais proveito das suas milhas. A não ser que você seja um viajante exclusivamente doméstico, acho que vale muito à pena se dedicar mais aos programas internacionais.

E vocês, o que acham? Vale mais à pena acumular pontos em programas nacionais ou internacionais? Gostaram da minha análise?