Aéreas adiam o retorno do Boeing 737-MAX mais uma vez

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Os problemas com o Boeing 737-MAX persistem. As empresas aéreas americanas Southwest e American Airlines decidiram adiar o retorno até, pelo menos, março de 2020. Essa já é a quarta ou quinta vez que as companhias aéreas postergam a data.

O Tamanho do Problema da Boeing

Se a nova data marcada, 5 de março se confirmar, serão 360 dias de aterramento da aeronave comercial mais polêmica dos últimos tempos. Aos que minimizam o problema, foram encomendadas 4.930 aeronaves, sendo 387 entregues. Todas estão em solo, causando bilhões de dólares de prejuízo.

Inclusive, o CEO da American Airlines, em pronunciamento público, disse que quem deveria suportar os prejuízos do aterramento são os acionistas da Boeing e não aqueles da AA.

Entretanto, há os mais alarmistas que afirmam uma possível falência da Boeing por conta do problema com o B737-MAX. Lembro a todos que a empresa americana não atua somente na área comercial, mas também tem contratos bilionários com o governo americano para fornecimento de equipamento de defesa.

O Desenvolvimento do B737-MAX

  • O x da questão é a rivalidade (e $$$) entre a Boeing e a Airbus.
  • O B737 é uma aeronave de 50 anos que foi redesenhada 3 vezes.
  • Em 2011, havia rumores que a Boeing iria projetar uma nova aeronave single-aisle mais eficiente para substituir o B737. A nova aeronave evitaria as limitações que a fuselagem do B737 impõe aos engenheiros.
  • As empresas aéreas se interessaram em voar em rotas cada vez mais longas com aeronaves single-aisle por conta da economia de combustivel.
  • Em dezembro de 2010, a Airbus anunciou uma nova versão da família A320, mais eficiente e que poderia operar rotas mais longas, o A320neo, que vendeu muito bem à época.
  • Em julho de 2011, a AA, que não tinha aviões da Airbus em sua frota, anunciou a compra de 130 A320, 130 A320neo, 100 B737 e 100 B737 re-engined.
  • Só tinha um problema: a Boeing não tinha planos para um B737 re-engined. Ou seja, a AA anunciou a compra de uma aeronave que supostamente não existia. 
  • O interesse da AA em forçar a Boeing redesenhar o B737 ao invés de projetar uma nova aeronave foi puramente econômico também: os pilotos são treinados para voar uma aeronave e todas as suas variantes. Assim, uma nova aeronave da Boeing implicaria em enormes gastos em treinamento de pilotos. Já uma variante do B737 não exigiria essa despesa.
  • Então, logo após o anúncio da AA, a Boeing enfim anunciou o B737-MAX, uma aeronave 15% mais eficiente que o B737-700, e com alcance para fazer voos transcontinentais.
  • Para que isso acontecesse, seria necessário um motor maior, o que alterou o aerodinâmica do B737. Essa alteração fez com que o nariz do avião inclinasse para o alto, levando ao stall da aeronave. Para corrigir esse problema, foi necessária a instalação do MCAS, um sistema que traria o nariz do avião para a posição correta.
  • A menos que o MCAS esteja desativado, ele irá trazer o nariz do B737-MAX para baixo. E foi isso que hoje se acredita que aconteceu nos acidentes com as aeronaves da Lion Air e da Ethiopian.

Para assistir a um vídeo em inglês explicando os pontos acima, clique aqui.