Alguns malabarismos no uso do Smiles e do LATAM Pass

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Todos nós que procuramos milhas nos programas nacionais para emitir passagens aéreas estamos enfrentando dificuldades de diversas naturezas: problemas crônicos de bugs em sites, inflação nos valores cobrados, promoções pouco vantajosas, problemas de disponibilidade, etc. Mas nem tudo está perdido. É possível fazer alguns malabarismos e conseguir bons valores.

O post de hoje é mais uma valiosa contribuição do Carlos – a quem agradecemos desde já, que está complementando o seu post anterior. Vamos a ele!

Alternativas nas Emissões com Milhas no LATAM Pass e Smiles

Escrevi recentemente sobre as dificuldades e más perspectivas em relação aos programas de milhagem nacionais, sugerindo, como possível alternativa, a utilização de programas estrangeiros.

Uma outra opção para resolver partes dos problemas, de altas tarifas e poucas vagas, é utilizar os programas nacionais apenas para parte dos deslocamentos, ou não necessariamente pela rota mais direta.

Ainda assim, tenho achado cansativo ter de fazer vários malabarismos para conseguir boas emissões e tenho tido dificuldade em entender a política de liberação de assentos entre companhias e de precificação.

Pode ser uma limitação intelectual deste autor, mas a utilização de tabelas de resgates dinâmicas tornou mais difícil entender se o preço indicado é o normal ou se há algum erro de tarifação, ainda mais que os erros de TI são cada vez mais comuns e, alguns casos, parecem erros propositais para limitar a capacidade de utilização dos programas (vide o famoso caso da migração Latam Amadeus/Sabre, ou nas pesquisas do Smiles com troca de datas).

Para ser mais claro, vou indicar exemplos do Latam Pass e do Smiles. É provável que não haja erro nenhum e o modelo de precificação esteja 100% correto para a empresa, mas é bastante difícil compreender a lógica de funcionamento.

Latam Pass

Neste programa, acredito que seja de conhecimento geral o esquisito modelo de precificação das passagens. Se eu pego um voo direto GRU-MIA em executiva, o valor cobrado é de 98k pontos.

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Se eu pesquiso de Buenos Aires para Miami, eu encontro uma emissão com conexão em Guarulhos, envolvendo o mesmo voo acima, por menos da metade do preço.

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Na pesquisa GRU-MIA, me é mostrada uma opção com conexão em Bogotá, com voo da American.

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Se eu pesquiso só BOG-MIA, este voo da American não aparece.

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O preço do voo acima, de 4 horas, é 68k pontos. Saindo de Lima, com 5:50 de duração, o preço é menos da metade.

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Lima é a menina dos olhos da Latam. Há alguns meses, Madri a São Paulo em executiva, voo direto, estava na casa dos cento e alguma coisa pontos. Pesquisando Madri a Lima, era montada a opção do voo com conexão em Guarulhos, por 69k pontos. O único problema, neste caso, é que com conexões internacionais no Brasil, a mala é despachada até o destino.

Mas, fazendo outras tentativas, Madri para Santiago tarifava, por 88k, MAD-GRU-GIG-SCL. Neste caso, havia uma conexão nacional junto da conexão internacional e, assim, a retirada da mala em Guarulhos será obrigatória, resolvendo o problema da bagagem, pois são 3 volumes na executiva.

Foram três passagens emitidas até Lima e uma até Santiago, mas todos descerão em São Paulo e pegarão um voo nacional separado. A economia foi de quase 200k pontos.

Esta opção não consegui reproduzir, principalmente agora que a rota São Paulo a Madri está sendo operada por aviões com a nova executiva da Latam. Mas as esquisitices de precificação da Latam podem trazer boas oportunidades.

Por exemplo, viajando em três, a volta dos Estados Unidos pode ser emitida como MIA-GRU-EZE para dois passageiros por 47k, e um (se três malas forem suficientes) MIA-GRU por 99k. Os três passageiros sairão pelo preço de dois. Ou todos vão para Buenos Aires e compram um voo separado para o Brasil, que ainda vai sair mais barato que a emissão do voo direto (dependerá da disposição em enfrentar conexões e do preço da passagem saindo da Argentina).

Vale também para casos menos comuns, mas pesquisando MAD-LIM, a Latam me mostra uma opção MAD-JFK-LIM por 100k. Se coloco MAD-JFK, só mostra MAD-LHR-JFK por 122k, mais caro e sem voo direto (não sei como funciona a questão da bagagem em conexões internacionais nos EUA).

Smiles

No caso do Smiles, a minha principal questão é em relação à disponibilidade de vagas que, não necessariamente, a empresa tem responsabilidade. Pode ser uma questão da companhia liberar as vagas ou a questão de segmentos casados.

Por exemplo, sempre entendi que, quando a Delta tem a tarifa mais baixa do seu programa (Skymiles) disponível, ela estaria disponível para os parceiros. Mas vamos ver alguns exemplos.

Abaixo, EZE-ATL, na executiva, está precificado a 210k Skymiles, que é uma tarifa alta e, então, não deveria estar disponível para os parceiros.

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Entretanto, ela aparece no Smiles tanto do Brasil quanto da Argentina. A diferença de preços entre os dois Smiles eu entendo como normal, o principal ponto é que a aba de datas está funcionando na Argentina, mas não no Brasil.

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Porém, em outro exemplo, pesquisando GRU-MEX, aparecem vagas na Aeroméxico e na Delta, pelo mesmo preço no Skymiles. No Smiles, aparece o voo da Aeroméxico, mas não o da Delta.

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Só Copa.

pastedGraphic_11.pngEm outros caso, o Skymiles mostra disponibilidade da Air France em voo direto e com conexão com a Gol. O Smiles brasileiro só mostra o voo com conexão e o argentino, nenhum.

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Enfim, também há casos de voos da Aeroméxico que aparecem no Smiles mas não na Delta e nesta, como na Latam, voos diretos que custam o valor máximo (350k por GRU-ATL) mas caem com conexão (GRU-ATL-MEX por 78k).

Como a Delta iniciará a parceira com Latam, vamos ver como será a disponibilidade dos assentos. Mas haja tempo para ficar pesquisando as vagas.

Pelo menos, é possível emitir ida e volta em executiva de São Paulo para a Cidade do México por 100k no total e, de lá, comprar voos separados para EUA ou Canadá, que nem sempre são baratos nem tem franquia de bagagem. A Aeroméxico não está tarifando a conexão na Cidade do México para a Am. do Norte, mesmo se a segunda perna for em econômica.

Com muito tempo e muita disposição, é possível garimpar algumas oportunidades nos programas nacionais. Mas flexibilidade, tanto de datas quanto de destinos e de conexões, é necessária. Talvez seja uma tática das aéreas para melhor nos adaptarmos aos espaços mais reduzidos das aeronaves. ☺

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Algumas Palavras

Eu mesma já emiti passagens fazendo esses malabarismos. Mas é necessário frisar que, temos que incluir o tempo a mais gasto em itinerários completamente fora do quadrado. Aí a gente vê se vale a pena gastar mais milhas em um trecho direto, ou se preferimos emitir passagem para Buenos Aires via Dubai (lembram? 🙂 ).