O que deveríamos esperar de um American Express The Platinum Card com o Santander?

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O que deveríamos esperar de um American Express The Platinum Card com o Santander?

Neste artigo o Carlos, com a qualidade de sempre, explora o que poderíamos esperar de um American Express The Platinum Card (TPC) pelo Banco Santander.


Antes de passarmos a palavra ao Carlos, aproveitamos mais uma vez para agradecer não apenas esta, mas todas as suas contribuições para os Pontos e Viagens.


Recapitulando

Como exposto em postagem anterior (clique aqui para ler), os programas de pontos nacionais, ligados às companhias aéreas, cobram altos valores para emissões de passagens internacionais, mesmo levando em conta os bônus de transferência oferecidos.

Todos ainda possuem precificação dinâmica, o que quer dizer que os já altos preços indicados podem ser ainda maiores dependendo da rota ou época, e que podem reajustar os valores cobrados quando e quanto bem entenderem.

Como o histórico destes programas já é de mudarem regras, valores e parceiros a qualquer momento, o seu uso é bastante arriscado.

No mercado de apenas 3 programas de pontos de companhias aéreas nacionais, também só existem 3 outras opções de programas de companhias internacionais: o Miles&Go da TAP, Iberia Plus da Ibéria e o AAdvantage da American Airlines.

O primeiro programa é o único que possui parceria com diversos cartões de crédito nacionais, exceto os do Santander, que é o único que oferece possibilidades de transferência para os outros dois.

Conforme demonstrado na referida postagem, o TAP Miles&Go é um programa bastante vantajoso, mas com histórico de um período de mudanças repentinas e não avisadas. Ocorrendo qualquer piora significativa com sua tabela, a maior parte dos brasileiros ficarão à mercê dos volúveis e caros programas nacionais.

Santander e o Provável American Express TPC no Brasil

A exceção são os clientes do Banco Santander, que ainda poderão, em um futuro próximo, contar com mais uma opção. Em entrevista de outubro do ano passado, o presidente do banco afirmou que:

“O banco deve seguir incrementando o seu portfólio de cartões, o que deve aumentar a presença da instituição e a concorrência neste segmento.”

Dentre os lançamentos previstos, ele comentou que o banco deve disponibilizar no mercado um American Express, com foco no público de alta renda.

“Teremos um leque de cartões do banco cada vez mais completo.”

Resumiu Rial, sem dar mais detalhes.

Ao se referir a cartão da American Express com foco no público de alta renda, é possível que o presidente se refira ao The Platinum Card (TPC). O cartão passou a ser comercializado pelo Santander do Chile em julho do ano passado. Já na Argentina, o banco comercializa diversas versões do cartão.

As operações dos bancos são independentes, porém o lançamento dos Santander AAdvantage do Brasil e Argentina (que já o descontinuou) se deu no mesmo período (começo de 2017). É possível que haja alguma estratégia conjunta para a região, sendo a comercialização da bandeira “com foco no público de alta renda” continuação das políticas no Chile e Argentina.

Lançar apenas versões dos cartões já comercializados pelo banco no país, somente com a opção de utilização da bandeira American Express não parece ser uma estratégia muito inteligente, porque a bandeira possui, no exterior (especialmente Europa) aceitação menor do que Visa e Mastercard. E o banco promoveu a troca, recentemente, de sua bandeira preferencial de Mastercard para Visa.

Seria trocar 6 por 5, para o público de alta renda. A conquista de uma fatia adicional desta faixa de mercado, que ainda não for cliente do banco, através de um novo cartão de crédito só pode passar por duas possibilidades: ou o cartão oferece benefícios adicionais aos já encontrados nos cartões Unlimited ou Select; ou então oferecerá possibilidades de pontuação ou, mais importante e provável, de parceiros de transferência dos pontos além dos já encontrados no programa Esfera.

American Express TPC do Bradesco

O TPC já é comercializado no Brasil pelo Bradesco. Contudo, no começo de 2018 o banco piorou bastante o cartão ao, na prática, eliminar o programa Membership Rewards (MR), com seus diversos parceiros internacionais. A pontuação passou a ser feita no programa Livelo, não apresentando, neste quesito, nenhuma diferença aos cartões Elo comercializados pelo Bradesco ou Banco do Brasil.

No quesito benefícios, o TPC Bradesco oferece, há pouco tempo, status Gold na rede Hilton. Já em relação a lounges, os portadores do cartão têm acesso gratuito aos lounges nacionais conveniados com o Bradesco, exatamente como os portadores dos cartões Bradesco Elo Nanquim. Com o cartão Elo Nanquim Diners, tem-se 10 acessos gratuitos a qualquer lounge no mundo conveniado ao Diners Club, enquanto com o TPC tem-se acesso gratuito ilimitado aos 22 lounges mundiais da bandeira, com predomínio nos EUA.

Santander e o Provável American Express TPC – Pontuação

Se o Santander quiser conquistar uma fatia adicional pela parte dos benefícios, o cartão terá de oferecer Priority Pass (PP) com acessos gratuitos limitados, se for para ser superior aos já ofertados Select; ou ilimitado, aliado ao acesso a lounges Amex, se superior aos Unlimited.

A questão de um cartão que oferece bons benefícios é que a sua obtenção é atrativa, mas não necessariamente há incentivo para a concentração de gastos no mesmo. Era o problema do Porto Seguro Infinite, cujo diferencial era seu PP ilimitado, mas com programa de pontos inferior ao Livelo. Os gastos valiam somente até uma faixa de isenção da anuidade, após isso era mais interessante utilizar cartões de pontuação semelhante na Livelo (e a reação foi de tornar o cartão sem muita graça mesmo, saindo do TOP3 para o TOP 10).

Já pelo quesito pontuação, o novo cartão do Santander teria de oferecer mais do que os 2.0 ou 2.2 encontrados nos cartões Select e Unique. Esperar que o cartão pontue na paridade de um ponto por real gasto, como o Itaú Pão de Açúcar Platinum, seria sonhar alto demais. E oferecer 0.1 ou 0.2 a mais não seria um diferencial tão relevante.

Parcerias com Empresas Aéreas

É na parte dos parceiros que o novo cartão poderia fazer a diferença, como já acontece com a linha Esfera ou AAdvantage do banco. O antigo MR nacional transferia, além dos programas das companhias aéreas nacionais, para TAP, Singapore, Air France, British, Iberia, Emirates, Alitália, Avianca e Delta.

O Santander encerrou, no final de 2015, sua parceria com o antigo Victoria, atual Miles&Go da TAP. Não voltar com a parceria no novo cartão seria uma perda significativa. A Singapore não voa mais para o Brasil, então seu programa provavelmente ficaria de fora.

Como só programas de empresas que operem no Brasil devem ser associados, Lifemiles, Flying Blue, Skymiles, Skywards e Avios seriam as reedições importantes, e o acréscimo do Aeroplan (associado no MR americano e canadense) interessante.

Os cartões Santander AAdvantage sofreram com dois problemas, em seu lançamento. Um foi a retirada do PP ilimitado, anunciada no seu lançamento mas retificada depois para apenas 4 acessos gratuitos.

O outro foi o período do lançamento, em que os programas nacionais, em especial o Amigo, com seus bônus de transferência, ficavam bem mais atrativos que o americano.

Acabou sendo um cartão sem atrativos diferenciais de benefício ou pontuação. Mas atualmente, na parte da pontuação, é um cartão interessante.

Algumas Palavras

Se o Santander não quiser repetir erros com um provável American Express TPC, o novo cartão terá de oferecer algo a mais (se a crise não tiver feito o banco mudar seus planos). Acho que dificilmente teremos um cartão “matador”, que será superior tanto em benefícios quanto em pontuação. Chuto um TPC com PP ilimitado, pontuação de 2.0 nos já parceiros do Esfera mais Skymiles e/ou Lifemiles.

Se não vier nada ou o que vier for desinteressante, a alternativa é tentar a obtenção dos cartões de crédito americanos.


Mais uma vez, agradecemos ao Carlos pela contribuição!


 

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