A covid-19 causou um curto circuito nos preços das passagens aéreas mundo afora

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A covid-19 causou um curto circuito nos preço das passagens aéreas mundo afora

Depois de anos morando em Londres se alguém me perguntasse, até pouco tempo atrás, eu poderia dizer com uma boa precisão quanto custaria uma passagem na British Airways entre Londres e São Paulo uma semana antes do Natal. E por que eu poderia dizer disso? Porque a British Airways sabe que eu viajo naquela semana todos os anos!

Sistemas de Gerenciamento de Preços de Passagens Aéreas

Assim como no exemplo acima, milhares de passageiros têm um comportamento similar no que diz respeito a viagens. As famílias viajam nas mesmas épocas do ano para os mesmos destinos e os executivos têm os seus voos e horários preferidos. Ou seja, estamos falando de uma infinidade de dados que estavam esperando para serem analisados.

Ao longo dos anos as empresas aéreas se derem conta disso, levando ao surgimento dos programas de gerenciamento de preços de passagens. Esses sistemas levam em conta a oferta e a demanda de anos anteriores e ajustam os preços das passagens de modo a maximizar o lucro das empresas.

Os sistemas foram constantemente ajustados de modo a garantir que, em grande parte dos voos, seja possível comprar um bilhete horas antes da viagem. Pagando uma pequena fortuna, claro!

Covid-19

Tudo estava funcionando muito bem até a chegada da covid-19. Em questão de semanas, sem nenhuma ligação com fatos passados, os passageiros desapareceram e os sistemas entraram em parafuso.

A primeira reação dos sistemas, ao notar que não havia demanda, foi baixar o preço das passagens. A demanda não apareceu e novas reduções de preço aconteceram. Chegou-se ao ponto de uma passagem de ida e volta entre Nova York e Londres ser vendida por menos de US$200 faltando apenas horas para o voo.

As tentativas de ajuste, sem sucesso, se multiplicaram até que os sistemas foram desligados. Solução? De volta às planilhas de excel. E assim será por um bom tempo, pois baixar o preço das passagens parece não ser o suficiente para seduzir a grande maioria dos passageiros a entrar em um avião. Além disso, o constante abre e fecha de fronteiras é mais um complicador que vai além da lógica dos super programas.

Um outro problema, ainda a ser administrado pelas empresas aéreas, será o momento em que os sistemas forem religados. 2020 é um ponto fora da curva e quais dados deverão ser usados em 2021 para se calcular o preço das passagens?