E a American Airlines nisso tudo?

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Com o enterro da joint venture com a LATAM, a American Airlines se encontra em péssimos lençóis na América do Sul. A voadora americana se vê de volta ao período pré-LATAM-na-Oneworld, em que não tinha uma companhia aérea na aliança para transportar os passageiros de cidades brasileiras – e sulamericanas – indo para e voltando dos Estados Unidos.

Na verdade, a situação da American Airlines, no momento, é ímpar: além de perder a capilaridade na América do Sul, abundam relatos de problemas com a empresa. Vou listar alguns deles para a gente ter uma ideia da encrenca:

  • atraso/cancelamento constante de voos – em virtude de questões trabalhistas, os mecânicos da American sabotam as operações, aumentando o cancelamento e atraso de voos. Há posts e posts dos blogueiros americanos sobre isso;
  • o comportamento dos comissários e funcionários em geral – esse é outro problema constantemente comentado nos fóruns e posts americanos. A péssima gestão de Doug Parker aliena os funcionários da empresa, o que reflete na atitude deles em relação aos passageiros;
  • serviço de bordo – das três grandes empresas americanas, a AA é a que oferece o pior serviço de bordo;
  • o fracasso retumbante do Projeto Oasis – o projeto de retrofit das cabines para colocar 300 passageiros onde cabem 200 foi dura e amplamente criticado por todo mundo. E quando me digo todo mundo, me refiro a todo mundo! O feedback foi tão ruim, mas tão ruim, que o Robert Isom, presidente da AA, decidiu suspendê-lo;
  • a aposta no B737-MAX – o problemão da nova aeronave da Boeing está fazendo com que a AA cancele, aproximadamente, 140 voos por dia. Isso sem contar com a reação dos passageiros quando a aeronave for finalmente liberada …
  • o AAdvantage – o que antes era o grande trunfo da American, hoje seu programa de milhagem não apresenta nenhum atrativo em relação aos demais. A disponibilidade de bilhetes com milhas em cabines premium é limitadíssima. Além disso, é quase impossível confirmar SWUs com antecedência. E, para finalizar, das três companhias americanas, o AAdvantage é o único que exige gasto mínimo para residentes fora dos EUA (uma tremenda bola fora).

Em relação a esse último tópico, o desmantelamento da Oneworld no Brasil enfraquece sobremaneira a American e o AAdvantage. Quem sabe a AA não siga a Delta e a United e comece a dispensar o gasto mínimo para os brasileiros?

De qualquer modo, a AA será obrigada a fazer code-share com outra empresa brasileira. Como a LATAM está com a Delta e a Azul com a United, sobra a GOL. Quem sabe não nasce uma linda amizade entre as empresas?