Evolução dos resgates de passagens com milhas Smiles e LATAM Pass

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O Carlos nos brinda com mais um excelente post em que analisa as estatísticas públicas acerca dos resgates com pontos e milhas dos programas Smiles e LATAM Pass. Além disso, ele comenta o impacto do surgimento das empresas que comercializam milhas.

As Estatísticas do Smiles e do LATAM Pass

Em texto anterior, levantei dados para questionar a probabilidade do TudoAzul, com sua radical limitação na quantidade de usuários utilizáveis por cliente, estar interessada no bom uso das milhas pelo cliente comum. 

Para o texto não ficar mais longo ainda, me foquei neste ponto, mas acabei levantando outros dados e informações como curiosidade do mercado de milhas.

Primeiramente, temos a evolução do perfil de resgates do Multiplus/LATAM Pass. Em quantidade, o uso dos pontos para voos internacionais da própria LATAM passou a equivaler ao utilizado em voos nacionais.

LATAM Pass
Multiplus / LATAM Pass

Referente aos cartões de crédito, achei um dado bastante interessante. Em relação aos pontos adquiridos e convertidos, estamos em patamares parecidos ou abaixo de 2013/2014 (houve um aumento no último trimestre, mas não sei o impacto da ampliação da base de dados). Isto provavelmente tem relação com a queda da atividade econômica e, mais importante, alta do dólar, diminuindo o ganho de pontos.

Multiplus / LATAM Pass
Multiplus / LATAM Pass

Entretanto, se olharmos o gráfico dos pontos emitidos por Multiplus/LATAM Pass e Smiles em 2017 e 2018, vemos que houve uma forte expansão destes números que, em correspondência, não vieram diretamente dos cartões de crédito, pois não houve um aumento de pontos convertidos no mesmo período para justificar esta expansão. E, no caso da Smiles, estamos falando de um aumento de 170% em dois anos.

Estatísticas Smiles e LATAM Pass
Estatísticas Smiles e LATAM Pass

Só posso atribuir este aumento significativo à criação da Livelo, que passou a operar abertamente em 2016 e lançou seu clube e venda de pontos no final daquele ano. Até faz sentido o impacto ter sido bem maior para Smiles, pois Multiplus e Livelo nunca se entenderam bem e os bônus de transferência entre os dois programas sempre foi limitado, ao contrário de Smiles, que oferecia 100% de bônus com frequência.

Repare que, mesmo contando com uma base de clientes menor, de 2014 a 2018 a Smiles mais do que dobrou sua quantidade de pontos emitidos e resgatados, ultrapassando espetacularmente a Latam em volume em ambos aspectos.

Olhando apenas estes números, estimaria que a agora LATAM Pass deveria ser um programa mais estável e benéfico ao cliente que a Smiles. Porém, na minha visão pessoal, isto está longe de ser o caso por dois motivos: os parceiros da Smiles são realmente parceiros e utilizáveis, não são como os parceiros gasparzinhos da LATAM; e a emissão com a Smiles, além de ser possível, tem custos bastante competitivos levando em conta os bônus de transferência.

O Surgimento das Empresas de Milhas

A Hotmilhas foi criada em 2009 e a Maxmilhas, em 2013. Olhando os números de emissões de pontos, se essas empresas e congêneres realmente fossem as grandes responsáveis pelo aumento significativo de emissões de passagens por pontos e consequente inflação dos valores, acho que isso apareceria de alguma forma nos números anteriores a 2017.

Não que elas não tenham importância mas, como já argumentei em outra postagem, esperaria que houvesse um incremento da taxa de burn/earn mais significativo estatisticamente.

Mas meu ponto principal, na verdade, é que a Livelo teve um impacto muito mais significativo no mercado de milhas do que qualquer outro elemento. Sem ela, é possível que o comércio intermediário de milhas pudesse continuar livremente, sem qualquer tipo de restrição na quantidade de usuários resgatáveis.

Acho interessante observar como será a evolução dos programas com a ampliação destes tipos de empresa, com as remodelagens de Santander Way e Itaú Sempre Presente, que iniciaram também sua venda de pontos mas, por enquanto, apenas para os clientes de seus cartões de crédito. 

Como os programas de pontos farão para se equilibrar entre o desejo de vender pontos até o infinito e manter a atratividade para os clientes ou “usuários genuínos” resgatarem seus pontos? Inflacionar valores e restringir resgates vai no sentido contrário de incentivar os clientes a transferirem seus pontos. 

Perderão os programas de pontos para permitir o ganho de suas controladoras, as companhias aéreas? Venderão até a mãe (se já não foi vendida) e transformarão os pontos em algo parecido com o bolívar venezuelano? É um volume bastante significativo de dinheiro para adotar o critério de Maria vai com as outras e copiar cegamente o TudoAzul, sem saber os impactos advindos da mudança.

Algumas Palavras

São poucos os milheiros que têm a latitude e a profundidade de compreensão do mercado de milhas no Brasil. O Carlos é um deles. É um privilégio podermos contar com suas análises sobre o tema que nos une!

Muito obrigada mais uma vez, Carlos!

Ah, e amanhã tem mais guest post do Carlos! Fiquem atentos!

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