[Guest Tutorial] Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 5

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Nesta 5a parte do tutorial, o Carlos expõe, com detalhes, o que são os cartões com caução, a estratégia de gastos para obter o cartão sem caução e o FICO Score.

Não faz muito sentido uma empresa financeira fornecer um cartão de crédito a um estrangeiro. Se a fatura não for paga, vai ser difícil cobrar o valor. Até mesmo para os residentes, a decisão de concessão do crédito tem de passar por alguma avaliação de risco.

Nos EUA, esta análise passa principalmente pelo FICO Score. É uma nota atribuída pela empresa FICO, de 300 a 850. Esta pontuação é baseada nos seguintes fatores:

. Histórico de pagamentos (35%): pagamentos de contas em dia, ao longo do tempo.

. Tamanho do débito (30%): porcentagem de débito em relação ao total de crédito disponível.

. Idade do crédito (15%): quanto mais antigas suas contas reportadas, maior a pontuação.

. Tipos de crédito (10%): variedade dos créditos, se cartões de crédito, hipotecas, financiamentos, empréstimos.

. Crédito novo (10%): cada consulta ou concessão de novo crédito afetam a pontuação.

Quem nunca realizou transações financeiras nos EUA e não possui SSN, dificilmente conseguirá um cartão de crédito. Já li poucos relatos de pessoas que realizaram um depósito inicial de dois mil dólares ou mais na conta corrente e conseguiram um cartão diretamente com o gerente.

Um bom FICO score é necessário para conseguir um cartão de crédito, e um cartão de crédito é necessário para poder produzir o FICO score.

Para vencer este círculo vicioso, alguns bancos (Bank of America, Wells Fargo, Citibank) oferecem cartões de crédito com caução (secured credit cards). Um mínimo de U$ 300 é retirado de sua conta e vira o limite do seu cartão.

Esta é a solução para os turistas construírem um histórico e, com o tempo, conseguirem acesso a opções melhores. Mesmo sem SSN, os seus dados (nome, nascimento, passaporte…) são suficientes para criar um perfil e passar a ser alimentado por suas atividades.

Não faz muita diferença o valor da caução, 500 dólares já está de bom tamanho. O principal é usar o cartão (pagará 3% de taxa no Brasil), não passar de 30% de gastos do limite segurado e (pode parecer ridículo) pagar a fatura em dia.

Há uma grande diferença na filosofia econômica do Brasil para os EUA no tocante a crédito. Aqui, se você possui um limite alto e gasto próximo ao teto, mas paga as contas em dia, é considerado um ótimo cliente. Lá, é o contrário: clientes assim são considerados de risco e indesejados.

Isto se deve, entre outros motivos, pela diferença dos juros. Há cartões de crédito americano que possuem 0% de juros e é comum as pessoas usarem o cartão como um meio de financiamento de compras. Os cartões que cobram juros não costumam passar da taxa de 30% anuais, contra os nossos mais de 300%.

É importante usar o cartão, em torno de 20% do limite, para mostrar que você utiliza o crédito oferecido de forma responsável. E não fazer pagamento antecipado antes do fechamento da fatura, para que seu gasto possa ser reportado. Antecipar, só se o gasto passar dos 30% (https://thepointsguy.com/news/pay-off-card-balance-before-billing-cycle-ends/).

Com o tempo (de 6 a 18 meses), os bancos podem te considerar um cliente seguro e graduar o seu cartão, devolvendo o valor da caução mas mantendo ou aumentando o limite de crédito. O cancelamento do cartão também vai devolver a caução, mas é uma questão de avaliar se já se conseguiu outros cartões para servirem na construção do histórico no FICO. 

Os cartões secured do BofA e Citi não cobram anuidade, mas do Wells Fargo sim, que também costuma ser considerado como o de graduação mais difícil. Sugiro o cancelamento só se a graduação demorar mais de 18 meses e você tiver uns 2 ou 3 cartões para serem reportados (https://onemileatatime.com/does-closing-credit-cards-hurt-your-credit-score/).

O seu FICO Score só deverá ficar visível no aplicativo do cartão após 6 meses e, de acordo com relatos, no BofA o score some pouco tempo depois para as contas cadastradas no Brasil. Mas ele continuará a ser alimentado e servir para obtenção de outros cartões de crédito melhores, na própria instituição ou em outras.

Após abrir minha conta corrente no BofA, solicitei ao gerente um cartão de crédito. Por não ter nenhum histórico, nenhum me foi disponibilizado, então solicitei o secured. Quando o recebi no Brasil, usei-o para transações em dólar na internet e em despesas nacionais, usando em torno de 25% do limite (U$ 125). A principal diferença do cartão é, mesmo tendo chip, funcionar à moda antiga: basta inserir o cartão para ser debitado, não há senha para ser digitada.

Passei em uma agência do Citi na Califórnia e o gerente me disse que não conseguiria o secured card sem SSN, mesmo abrindo conta. Pode ser a questão de tentar em mais localidades. 

Para acessar os demais tutoriais dessa série, clique nos links abaixo:

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Introdução

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 1 > contém orientação básica sobre documentação e requisitos

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 2 > trata da exigência de endereço nos EUA[

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 3 > trata da exigência de telefone nos EUA

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 4 > trata da conta corrente 

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 5 > trata dos cartões com caução, o FICO score e estratégias para obter o cartão sem caução

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 6 > fala sobre como aplicar para cartões que não exigem caução

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 7 > dá um panorama das opções de cartões americanos

[Guest Tutorial]: Cartão de crédito e conta corrente nos EUA – Parte 8 > fala exclusivamente sobre o AMEX