Investigação do B737-MAX atinge o B787 Dreamliner

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A notícia do dia vai ser a expansão da investigação criminal na Boeing. Depois da queda de dois B737-MAX, matando 346 pessoas a bordo, a aeronave foi groundeada no mundo todo, causando um prejuízo de centenas de milhões de dólares para as empresas aéreas.

Imediatamente uma investigação foi instaurada pelo Departamento de Justiça (Department of Justice – DoJ). A agilidade da operação leva alguns a crer que alguma denúncia já teria sido feita ao DoJ. Além disso, o FBI e o Inspetor Geral do Departamento de Transporte estão trabalhando conjuntamente com o DoJ nessa investigação.

Os promotores estão investigando se a Boeing forneceu informações incompletas ou enganosas para o FAA (Federal Aviation Agency), a ANAC de lá. A Boeing não foi denunciada por qualquer crime, pelo menos por agora.

Mas isso não impede que os processos judiciais cheguem à empresa. Há diversas ações em curso em virtude dos prejuízos causados pelos problemas no design e fabricação do B737-MAX.

Para surpresa de muita gente, hoje foi revelado que empregados da unidade Boeing que fica na Carolina do Sul foram intimados pelo DoJ a prestar depoimento sobre o design e a fabricação dos B787, conhecido como Dreamliner.

A existência de uma cultura corporativa em que se aprova aeronaves com problemas para não haver atrasos na entrega é uma preocupação central da investigação conduzida pelos promotores.

Inclusive, em relação ao B787, há alegações de economia na qualidade do material empregado na construção da aeronave e utilização de peças com pequenos defeitos de fabricação.

No início do mês de junho foi descoberta uma falha crítica em um sistema de combate a incêncido, o que levou a Boeing a emitir um alerta de que o disjuntor projetado para exitinguir o fogo dos motores tinha falhado em algumas circunstâncias. O FAA deu um aviso que existe potencial para que incêndio seja incontrolável.

Entretanto, a opção de groundear o B787 foi abandonada. Ao invés disso, as companhias aéreas devem fazer uma verificação no disjuntor a cada 30 dias.

O B737-MAX, por sua vez, levou outro baque essa semana. Durante um dos testes conduzidos essa semana, foi descoberto que um chip da placa-mãe de um determinado computador de bordo foi incapaz de processar a quantidade de informações fornecidas durante um cenário de testes, ocasionando uma falha catastrófica, segundo um dos pilotos envolvidos no evento.

Serão semanas investigando se o problema é só do software que atinge o hardware ou se é um comprometimento de ambos. Esse novo problema vai atrasar a entrega das aeronaves em mais alguns meses.

Dependendo do resultado final das investigações, a Boeing tem que estar preparada para perder muito, mas muito dinheiro mesmo. Se, por um acaso, ficar comprovado que houve negligência da empresa nos projetos, ocultação de informações cruciais sobre as aeronaves, utilização de material com defeito e de peças de qualidade inferior – é um mar de suspeitas seríssimas! – o impacto na imagem na empresa vai ser devastador.

Estamos falando de máquinas que cuja utilização envolve diretamente a vida de centenas de pessoas a cada operação. Para termos uma ideia, só ano passado foram mais de 4 bilhões de passageiros transportados.

Se ficar comprovado que a Boeing agiu legalmente e de boa-fé, a empresa colocou uma aeronave para voar sem ter noção das graves falhas no sistema.

Se, por outro lado, for descoberto que a empresa estava ciente do risco e, ainda assim, não emitiu avisos para corrigir potenciais falhas sob determinadas condições, aí a conduta é criminosa e muita gente tem que ser presa.

De qualquer modo, nenhum dos dois possíveis resultados da investigação pode nos deixar menos aflitos.

O que vocês estão achando da situação da Boeing?