LATAM, Delta, GOL, Oneworld, Star Alliance

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O mundo das viagens, do turismo e das milhas sofreu um abalo cataclísmico ontem com o anúncio da aquisição de 20% do controle acionário da LATAM pela Delta. Em contrapartida, a empresa americana vai vender os 9% de ações que detém da GOL.

A reação do mercado financeiro foi imediata: enquanto as ações da GOL despencavam 9.4%, as da LATAM tiveram forte aumento de 47%.

Em termos de capilaridade no Brasil, a Delta não tem muito a ganhar com a aquisição, já que sempre teve a malha da GOL disponível para transportar seus passageiros fora do eixo São Paulo – Rio de Janeiro. Nesse aspecto, a GOL é a grande perdedora da noite, já que a LATAM ocupará seu lugar.

Entretanto, o grande avanço da legacy carrier americana será na América do Sul, onde poderá enfrentar a joint venture da United, Copa e Avianca – se a colombiana sobreviver à turbulência financeira que atravessa no momento.

Por outro lado, há a questão das alianças.

A LATAM já informou oficialmente à Oneworld sua intenção de deixar a aliança e, segundo o jornal O Globo, Jerome Cadier declarou que, no momento, não pretende ingressar na Skyteam. O responsável pelo braço brasileiro da LATAM diz preferir contratos bilaterais, à la Smiles.

O Smiles, por sua vez, rompe com a Delta. Isso impacta seus clientes Diamante, que ficam sem os benefícios de acesso aos lounges, bagagem extra, check in preferencial etc. quando voam Delta.

Não podemos esquecer que a Delta detém 10% da Air France / KLM e 31% da Virgin Atlantic, que começará a operar voos para o Brasil em março de 2020. Além disso, há 4 dias atrás a Delta anunciou a compra de 10% do grupo Hanjin-KAL, o maior acionista da Korean Airlines, que também é parceira do Smiles.

Ou seja, é possível que a saída da Delta também afete a parceria das europeias e da Korean com o Smiles.

Por outro lado, a Qatar Airways detém 10% das ações da LATAM. Isso me leva a imaginar que Akbar Al Baker esteja soltando rojões pelo fracasso da tentativa de joint venture entre da arqui-inimiga American Airlines e a LATAM. Entretanto, das três grandes americanas, a Delta é a empresa mais vocal contra a expansão das companhias aéreas árabes no mercado americano, o que também não deve angariar a simpatia do Al Baker.

É um jogo de xadrez e tanto!

Mas vocês sabem qual é o que mais me impressiona nisso tudo?

O Brasil, país de dimensões continentais, com mais de 200 milhões de habitantes, em breve não terá nenhuma companhia aéra na Star Alliance, Skyteam ou Oneworld.

Acordem com um barulho desses!

Para ler a reportagem do jornal O Globo, clique aqui.