LATAM anuncia prejuízo bilionário no terceiro trimestre, mas endividamento reduz

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LATAM Brasil espera operar 58% de sua capacidade em dezembro

A Latam apresentou os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2020, com um prejuízo líquido de $ 573,1 milhões (em torno de R$ 3,1 bilhões no câmbio de hoje). No segundo trimestre havia sido de $ 890 milhões, e, no primeiro, $ 2,120 bilhões.

Como contraponto, a empresa informou que a dívida financeira líquida reduziu $ 803,6 milhões em relação ao trimestre anterior, para $ 6,8 bilhões. Reportou também $ 886 milhões em caixa e equivalentes de caixa, além de indicar que já pagou 70% dos reembolsos pelos cancelamentos de voos em razão da pandemia.

Constou ainda a aprovação regulatória inicial da Joint Venture com a Delta Air Lines, que ocorreu em setembro e foi anunciada aqui, bem como o acordo de codeshare da LATAM Brasil e LATAM Colombia com a Aeromexico, apresentado em novembro e também anunciado aqui.

Outros Dados Relevantes Apresentados

O total de receitas no terceiro trimestre de 2020 alcançou o valor de US$ 512,9 milhões, comparado a US$ 2,665 bilhões do terceiro trimestre de 2019. A queda de 80,8% reflete uma queda de 94,8% nas receitas de passageiro, parcialmente compensadas por um aumento de 12,8% nas receitas de carga, e um aumento de 47,6% nas outras receitas. Receitas de passageiro e carga contabilizaram 23,6% e 55,4% das receitas operacionais totais do trimestre, respectivamente.

 

Durante o terceiro trimestre, a Empresa viu um aumento gradual em suas operações. Após operar 6,6% da capacidade do ano anterior no segundo trimestre, medida em ASKs (capacidade medida em assentos por quilômetro oferecidos), ela aumentou para 9,2% em julho, para 13,9% em agosto e para 20,0% em setembro, totalizando 14,2% dos ASKs do ano anterior durante o terceiro trimestre de 2020. Apesar deste aumento nas operações, os custos operacionais da Empresa diminuíram 55,0% no terceiro trimestre, enquanto haviam diminuído 45,6% no trimestre anterior, em função das medidas de economia de custo implementadas pela empresa.

 

Além disso, o Grupo LATAM Airlines retomou as operações domésticas na Colômbia, e seguiu operando nos mercados domésticos brasileiro, chileno, peruano, colombiano e equatoriano.

 

O financiamento DIP de US$ 2,45 bilhões foi aprovado em 18 de setembro, e um primeiro saque, de US$ 1,15 bilhões, foi realizado em 8 de outubro, o que representou metade dos fundos orçados naquela data.  Em 6 de novembro, o Fundo Toesca Deuda Privada DIP LATAM, representando os acionistas minoritários locais, comprometeu os US$ 150 milhões restantes, captados em leilão promovido pela LarrainVial em 2 de novembro.

Algumas Palavras

Como podem verificar, o desempenho é bastante ruim e segue muito preocupante, mas, ao menos, já é possível identificar alguns avanços, como a diminuição do prejuízo líquido, redução da dívida líquida e aumento das operações.

Vale relembrar que em maio de 2020 a LATAM Airlines Group S.A. e as suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos entraram com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, e em julho a LATAM Airlines Brasil aderiu ao mesmo processo.

Torço bastante pela recuperação do setor, especialmente do mercado brasileiro, e vejo a retomada com otimismo, mas é importante ressaltar que a situação da empresa é bastante grave, tanto que em recuperação judicial. Assim, seja voos programados com a companhia, quanto, especialmente, reserva de pontos no programa de fidelidade, devem ser considerados e muito bem avaliados.

Como recentemente também abordamos a condição financeira da Gol Linhas Aéreas, deixo aqui a matéria do Paulo Leo.

O que vocês acham dos dados apresentados e da situação atual da Latam, veem com otimismo o futuro da empresa?