Milhas e cartões de crédito: melhores opções

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Para o pessoal das milhas, quais os cartões de crédito que apresentam as melhores opções no mercado hoje em dia? Esse é o tema de mais um guest post imperdível do Carlos, a quem toda a comunidade Milhas e Destinos agradece!

Como era?

Conforme indicado previamente, o mercado nacional de milhas atual é bem diferente do de 10 anos atrás. Focando mais agora na questão dos cartões de crédito, este era o meio principal para geração de milhas, principalmente pela baixa cotação do dólar. Voar também era bem eficaz, rendendo as passagens internacionais em econômica quatro vezes mais do que hoje. Não existia venda de milhas nos programas nacionais (na época, somente Smiles e TAM Fidelidade), mas alguns ninjas como Henry e Cinthia Rangel conseguiam “comprar” pontos muito baratos com pague-contas bancários.

Cartões pontuando 2,2 eram de obtenção bem mais difícil que atualmente, já que o requisito de renda se manteve relativamente estável neste período (não podendo se dizer o mesmo da anuidade). O Amex TPC pontuava apenas 1,5, assim como o Santander Platinum, mas o BB Platinum pontuava apenas 1,1.

Apesar destas informações estarem registradas no glorioso Aquela Passagem, em relação aos cartões BB tenho a nítida certeza de que os Visa e Mastercard Platinum pontuavam 1,5 e o BB Amex Platinum 1,6 ou 1,7.

De qualquer forma, eram poucos ou inexistente os benefícios de cartões de crédito além dos ofertados pela própria bandeira. Nenhum cartão nacional oferecia Priority Pass. Uma das exceções eram os cartões Diners, com acesso mundial a salas VIP.

Como a diferenciação entre os cartões era baixa, o mais comum era se ater apenas aos produtos de um ou, no máximo, dois estabelecimentos bancários.

Como é?

Hoje, a pontuação dos cartões de crédito ainda é relevante, mas com as altas do dólar e dos resgates, tornou-se praticamente inevitável recorrer à compra de pontos ou assinatura de clubes.

Gastos no exterior se tornaram ainda mais salgados com, além da alta do dólar, aumento do IOF de 2,38% para 6,38%.

E na direção oposta, com as grandes reformas dos aeroportos brasileiros, surgiram diversas salas VIP nacionais, além da expansão da malha internacional.

Houve também aumento de parceiros para transferências de pontos. Na grande maioria, passamos de TAM Fidelidade e Smiles para também Tudo Azul e Miles&Go, com a perda do Amigo recentemente.

Infelizmente, perdemos quase todas opções de transferências de pontos para parceiros internacionais. Com mudança nos cartões Amex, Diners e extinção nacional do HSBC, ficou apenas o Santander com o Iberia Plus (o programa da TAP é praticamente “nacional”, em vários aspectos). Livelo transfere para alguns mas com grande deságio.

Melhores Combinações

Todo este enorme preâmbulo é apenas uma introdução para o tema principal do texto, estabelecer as melhores combinações de cartões, baseados em três categorias: cartões de gastos, cartões para uso no exterior e cartões de benefícios.

Não existe o melhor cartão, dependendo da categoria a liderança muda. Até os cartões mais pomposos (Bradesco Aeternum, Itaú Private Infinite, Safra Infinite) são meio decepcionantes. A solução, então, é combinações de dois ou mais cartões, de acordo com a disposição do pagamento de anuidade frente aos benefícios ou de isenção das mesmas.

Como as opções de mercado atualmente são, felizmente, extensas e as informações nem sempre estão facilmente disponíveis, solicito a gentileza de indicarem possíveis erros de dados e também alternativas não contempladas

Cartões de gastos

São os cartões para acúmulo de pontos. Quanto maior a pontuação do cartão, melhor. Mas há outro aspecto importante a ser levado em conta neste quesito, que é a plataforma onde os pontos são acumulados.

Como sobraram apenas os programas luso-brasileiros, é um grande desperdício de pontos transferí-los sem qualquer bônus de transferência, sendo o ideal esperar pelos maiores bônus ofertados ocasionalmente.

Com esta premissa, era praticamente indiscutível que a melhor opção de plataforma para acúmulo de pontos é a Livelo, que habitualmente oferece os melhores bônus.

Este ano, entretanto, apenas para Multiplus (35% de points back) os melhores bônus vieram dela. Tivemos gratas surpresas, com a CEF oferecendo incríveis 158% para Smiles e 148% para Tudo Azul e 120% para Miles&Go, juntamente com Itaú e Porto Seguro.

Eu ainda manteria a preferência por cartão ligado à Livelo, mas também baseado em promoção ocorrida este ano, escolheria a bandeira Elo. A aceitação nacional é quase universal, mas online já cai um pouco e, no exterior, mais ainda (embora este aspecto seja avaliado mais abaixo).

As sugestões de opções, de qualquer forma, são:

  • BB Elo Nanquim: pontua 2,2, anuidade de R$ 960. De acordo com o BB, tendo o BB Infinite, a anuidade do Elo cai para 90%. Esse não é grande coisa e, no meu caso, bloqueei sua função crédito (não pago anuidade) e o desconto do Elo continua sendo concedido normalmente.
  • Bradesco Elo Nanquim: pontua 2,2, anuidade de R$ 960, com a vantagem adicional de acesso aos Bradesco Lounges, VIP Club (BSB) e Advantage Lounge (CGH). Normalmente, desconto de anuidade de 50% com média de gastos de 5k reais ou 100% com 10k reais.
  • Bradesco Elo Nanquim Diners: pontua 2,2, anuidade de R$ 1.200, com a vantagem adicional de acesso aos Bradesco Lounges, VIP Club (BSB), Advantage Lounge (CGH) e 10 acessos Diners gratuitos por ano. Normalmente, desconto de anuidade de 50% com média de gastos de 5k reais ou 100% com 10k reais.
  • Amex The Platinum Card: pontua 2,2, anuidade de R$ 1.400, com a vantagem adicional de acesso aos Bradesco Lounges, VIP Club (BSB), Advantage Lounge (CGH), Centurion Lounges espalhados pelo mundo (concentrados nos EUA) e salas Delta quando voando com a companhia. Em média, isenção de anuidade com gastos de 10k reais.
  • CEF Elo Nanquim: pontua 2,3, anuidade de R$ 828. 
  • Itaú Pão de Açúcar Platinum: pontuação de 1,0 por real gasto, anuidade de R$ 550. Transferência 1:1 para Tudo Azul, 1:0,88 para Latam e Smiles.

Cartões para uso no exterior

São cartões para evitar o pagamento de IOF e/ou o alto spread do dólar dos cartões de crédito ou, ao menos, ter uma pontuação como compensação.

Algumas opções são possíveis apenas com a abertura de conta no exterior (tratado aqui). Outras, de cooperativas, dependem de associação às mesmas.

  • Amex Gold Card: pontuação de até 4,0 dependendo da categoria, anuidade de U$ 250, sem Foreign Fee. Bônus de 50k de adesão mediante gastos. Pontos acumulados no Membership Rewards.
  • Amex Hilton Surpass: anuidade de U$ 95, sem Foreign Fee, status Gold na rede Hilton (café da manhã grátis). Bônus de adesão de 150k mediante gastos. Pontos acumulados no Hilton Honors.
  • Amex Delta Gold: anuidade grátis no primeiro ano, U$ 95 depois, sem Foreign Fee. Uma mala grátis na Delta, 60k de bônus de adesão mediante gastos. Pontos acumulados no Delta Skymiles.
  • Sicredi Mastercard Black: pontuação de 2,0, anuidade R$ 750. Dólar sem spread, Loungekey ilimitado para o titular.
  • Santander AAdvantage Black: pontua 2,0 nacionalmente e 3,0 no exterior, anuidade de R$ 1.152. Pontos acumulados no AAdvantage.
  • Credicard Mastercard Black: pontua 2,0 nacionalmente e 3,0 no exterior, anuidade de R$ 780. Isenção de anuidade com gastos mensais de 6k reais.
  • Itaú Personnalité Black: pontua 2,0 nacionalmente e 3,0 no exterior, anuidade de R$ 959. Isenção de anuidade com gastos mensais de 10k reais.

Cartões de benefícios

São os cartões que oferecem vantagens aos usuários e, dependendo do caso, podem valer a pena tê-los mas não usá-los, pagando apenas a anuidade ou aproveitando períodos promocionais.

Neste quesito, o principal item para mim é o acesso a lounges e, ainda neste caso, lounges em voos domésticos nacionais. Nos internacionais, normalmente a passagem já me garante acesso a algum lounge e o cartão serve mais para “brincar” de visitar todas as salas disponíveis, gastar menos de 5 minutos em cada e ficar na melhor.

Os cartões Elo oferecem um interessante combo de benefícios ao serem usados na compra de passagens ida e volta internacionais, com chip de celular e acesso aos lounges.

Também há os cartões ligados a Smiles e Tudo Azul que oferecem despacho de bagagem grátis e prioridade de atendimento e embarque, mas acho difícil justificar suas anuidades somente por estes benefícios. Para mim, só valem nos períodos de anuidade grátis.

  • Porto Seguro Infinite: pontuação de 2,2 (gasto mínimo de 6k reais), anuidade de R$ 1.500. Priority Pass e Loungekey ilimitados para titular e convidados, pelo menos 3 cartões adicionais gratuitos com o mesmo benefício. Desconto de 50% na anuidade mediante gastos de 6k reais, isenção com 15k reais.
  • Santander Unlimited Black: pontuação de 2,2, anuidade de R$ 1.092. Loungekey ilimitado para titular e adicionais. 
  • Bradesco Elo Nanquim: pontua 2,2, anuidade de R$ 960, com a vantagem adicional de acesso aos Bradesco Lounges, VIP Club (BSB) e Advantage Lounge (CGH). Normalmente, desconto de anuidade de 50% com média de gastos de 5k reais ou 100% com 10k reais.
  • Bradesco Elo Nanquim Diners: pontua 2,2, anuidade de R$ 1.200, com a vantagem adicional de acesso aos Bradesco Lounges, VIP Club (BSB), Advantage Lounge (CGH) e 10 acessos Diners gratuitos por ano. Normalmente, desconto de anuidade de 50% com média de gastos de 5k reais ou 100% com 10k reais.
  • Amex The Platinum Card: pontua 2,2, anuidade de R$ 1.400, com a vantagem adicional de acesso aos Bradesco Lounges, VIP Club (BSB), Advantage Lounge (CGH), Centurion Lounges espalhados pelo mundo (concentrados nos EUA) e salas Delta quando voando com a companhia. Em média, isenção de anuidade com gastos de 10k reais.
  • Sicredi Mastercard Black: pontuação de 2,0, anuidade R$ 750. Dólar sem spread, Loungekey ilimitado para o titular.
  • Amex Hilton Surpass: anuidade de U$ 95, sem Foreign Fee, status Gold na rede Hilton (café da manhã grátis). Bônus de adesão de 150k mediante gastos. Pontos acumulados no Hilton Honors.
  • Amex Hilton Aspire: anuidade de U$ 450, sem Foreign Fee, status Diamond na rede Hilton (café da manhã grátis, acesso a lounges). Uma estadia grátis em final de semana, crédito de U$ 250 na rede Hilton. Priority Pass Select (máximo 2 convidados, não é válido em restautantes). Bônus de adesão de 150k mediante gastos. Pontos acumulados no Hilton Honors.

No fim, se for para montar o combo ideal, escolheria os cartões Elo Nanquim, Itaú Pão de Açúcar, Amex TPC (pelos lounges internacionais), Amex Gold Card e PS Infinite. Mas isto é um claro exagero e excesso de anuidades.

Temos cartões que aparecem em mais de uma seção e podem formar combinações otimizadas. Por exemplo, Sicredi Black e Itaú Pão de Açúcar. Amex Hilton Surpass e Nanquim Diners. Santander Black e CEF Nanquim. Ou…

Devido às constantes falhas, mudanças, abusos e reajustes dos programas de milhagem nacionais, a possibilidade de utilizar programas estrangeiros se torna bastante interessante. Os cartões do Santander AAdvantage ou Amex com Membership Rewards teriam um plus por este motivo específico.

Há também opções de cartões intermediários, com requisitos de renda, anuidades e benefícios mais baixos, mas o texto ficaria ainda mais extenso.

Faltou (provavelmente) algum produto ou aspecto a ser avaliado?

Muito obrigada, Carlos, pelas valiosíssimas informações que você, generosamente, compartilha conosco!