Notícias do voo mais longo do mundo!

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O voo mais longo do mundo aconteceu anteontem/ontem, entre Nova York e Sydney. Não foi um voo comercial – foi um teste especial da Qantas, com um número limitado de passageiros e toda parafernália de pesquisas científicas.

O que está envolvido?

Essa experiência é, ao mesmo tempo, um exemplo das maravilhas que a tecnologia pode nos proporcionar em todos os sentidos. A engenharia envolvida, a bioquímica – pensem nos fatores que vão da oxigenação da cabine até a comida que será servida a bordo, incluindo o preparo, a estocagem e o intervalo entre as refeições servidas nas diferentes cabines.

Além disso, ainda temos que incluir questões referentes ao componente humano: duas tripulações a bordo, e mais de duas dezenas de passageiros, cada qual com suas características individuais – físicas e psíquicas, divididos em três cabines diferentes (econômica, premium economy e business), cada qual contando com um serviço e hard product próprios.

Como diriam os anglo-americanos, it’s no small feat (não é uma conquista pequena).

Alguns podem alegar que a própria Qantas já está bem perto disso no voo que desenvolve regularmente entre Sydney e Londres.

Entretanto, em voos dessa magnitude, eu garanto para vocês que cada meia hora a mais dentro da aeronave conta. E conta mais ainda quando o voo vai chegando ao fim.

É muito diferente voar 14 horas e 16 horas (imaginem 19hrs30mins!) – e digo isso de experiência própria. Muitos dos leitores que me acompanham sabem que, mesmo na executiva de um voo de 16 horas, chegou um momento que eu estava entrando em uma espiral de incômodo máximo dentro da aeronave. E eu falo isso com a experiência de milhões de milhas voadas.

Me pego imaginando se eu tivesse mais 3 ou 4 horas dentro de um charuto metálico a 12 mil metros de altura, sem qualquer perspectiva de sair de lá de dentro. Não deve ser fácil. Aliás, eu acho que deveria ser proibido ter classe econômica nesses tipos de voo. Sério. É um atentado contra a saúde física e mental dos passageiros.

Eu sei que o Perth – Londres leva os passageiros durante quase 18 horas non-stop (no Google Flights os últimos voos apontam voos entre 16h30mins a 17hrs50 mins de duração). Mas, como eu disse, cada 30 minutos a mais ao final do voo parecem duas horas, sem brincadeira.

Como a Qantas conduziu a experiência?

Segundo um repórter da Bloomberg, como era um voo experimental, imediatamente após a decolagem de Nova York às 21 horas, tudo a bordo foi conduzido no fuso horário de Sydney.

As luzes ficaram acesas e todos receberam instruções para permanecerem acordados pelas próximas 6 horas, enquanto era dia na Austrália. De cara, isso causou alguns problemas para alguns passageiros – teve gente que cochilou.

Para manter o povo acordado, a primeira refeição, servida 2 horas após a decolagem, era bem picante.

A Qantas chamou 6 passageiros frequentes para participar da experiência. No meu dicionário eles são chamados de ratos de laboratório … rssss

Eles tinham um cronograma pré-planejado para comida e bebidas, o que incluía limitações da ingestão de álcool. Eles estavam usando monitores nos punhos e tinham que escrever suas atividades.

Esses passageiros já estavam sendo monitorados há alguns dias (pressão arterial, batimentos cardíacos, saturação de oxigênio etc. Eles continuarão a ser observados pelos próximos 21 dias (provavelmente, para ver se enlouqueceram … rsss … brincadeira!).

Aliás, um deles desobedeceu a ordem de permanecer acordado e começou a cochilar; afinal, é difícil convencer alguém às 23 hrs de NYC que ele deve fingir que é uma da tarde …

Mas nas três primeiras horas de voo, a Qantas conduziu testes a cada hora para ver o estado geral dos passageiros.

Na quarta hora de voo, uma professora da Universidade de Sydney arregimentou os passageiros e os levou até a classe econômica para conduzir exercícios e passos de dança. Tudo em nome da ciência!

Quando deu 7 horas de voo, a Qantas serviu uma segunda refeição com muito carboidrato planejada com o intuito de forrar o estômago dos passageiros para fazê-los confortáveis e desejarem dormir!

Lembrem-se disso na próxima vez que ouvirem a fatídica pergunta “chicken or pasta?”!

Ao término da refeição super-calórica, finalmente as luzes foram apagadas (já eram umas 20:30 em Sydney).

Um grande problema da experiência é que havia somente 40 passageiros na aeronave e todos estavam na executiva! Entretanto, o CEO da Qantas, Alan Joyce (que estava no voo!), garantiu que, se o Projetc Sunrise – voos de ultra-longa distância – vingar – as aeronaves designadas para esses voos terão uma classe econômica com maior distância entre os assentos e um espaço no fundo da aeronave para que os passageiros possam fazer alongamento.

O Project Sunrise

O Project Sunrise é um projeto desenvolvido pela Qantas para possibilitar voos de ultra-longa duração. A questão é geográfica: a Austrália fica longe dos grandes centros turísticos e financeiros do mundo – Europa e costa leste dos EUA. Atualmente, não é possível voar de Sydney para a Europa e Nova York em voos diretos.

Project Sunrise da Qantas, ligando Sydney a Nova York e a Londres em um voo sem escalas.
Project Sunrise

Há uma questão logística que envolve peso: peso de tudo que tem que ir no avião, o peso dos passageiros, da bagagem e do combustível. Essa equação tem que determinar que a aeronave tenha combustível suficiente para ficar as quase 20 horas no ar, acrescidas de algumas horas em caso de emergência. As aeronaves serão especificamente configuradas com esse objetivo.

A ideia é estender a experiência para voos diretos entre a Austrália e o Brasil (clique aqui e aqui para ler).

Toda a experiência está sendo conduzida de modo que a operação seja comercialmente viável a partir de 2022, ou seja, logo ali!

Perguntinhas Básicas

  • Quem quer ir?
  • Quem tem coragem de ir na econômica?
  • Será que a Qantas vai disponibilizar assentos com milhas para esses voos?
  • Em caso afirmativo, quantas milhas a gente vai precisar usar para fazer esses voos – levando em consideração que os programas vão adotar tabela dinâmica de precificação?

Para ler o artigo completo na Bloomberg, clique aqui.