Os milheiros brasileiros estão desanimados …

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O desânimo tomou conta do mundo das milhas e dos milheiros. Ontem à noite, o Carlos me enviou esse post em que externa a sua visão – pessimista – em relação aos programas brasileiros. Hoje pela manhã, li o post que o Guilherme fez no Meu Milhão de Milhas, em que o Henry também demonstra a sua insatisfação.

Vamos ao post do Carlos – sempre com muitas informações baseadas em pesquisas.

O Panorama Atual do Mundo das Milhas no Brasil

Se o começo de 2020 servir de padrão para como o mercado da aviação e programas de milhagem se comportará em seu restante, talvez seja melhor começarmos a pesquisar onde se consegue o melhor retorno para troca de milhas por prozac e rivotril.

Temos o South African encerrando suas operações no Brasil, a Air Italy no mundo e os programas de milhagem nacionais continuando a árdua competição sobre quem piora mais. Latam Pass, Smiles e TudoAzul se esforçam ao máximo, com esmero, para prejudicar seus clientes. Até mesmo a Livelo tem recebido comentários indicando o desânimo com a empresa.

Com certeza ainda não atingimos o fundo do poço, mas será que estaríamos muito melhor se utilizássemos os programas americanos? Pensei nisso ao ler a notícia sobre o bônus de 25 pontos Livelo por dólar gasto no Hoteis.com. Aqui, foi praticamente ignorada.

Mas imagino que, se aparecesse alguma promoção dando 25 pontos por dólar gastos na Amex, Chase ou Citi, teríamos manchetes tipo “WWOOWW! 25 Amex/Chase/Citi points with Hotels.com!”. E resolvi fazer algumas contas para ver se o nosso poço está mais fundo do que outros.

Comparando Programas Brasileiros e Estrangeiros no Resgate

Do ponto de vista da “resgatabilidade”, não há como negar nosso atraso. O TudoAzul só funciona, adicionalmente, para United e TAP. O Latam Pass, com a saída da Oneworld e não entrada na Skyteam, deve ficar com poucos (Delta, British, Air France, Qatar?). E Smiles, dos que efetivamente podem ter utilidade, American, Korean, Qatar, TAP, Aeromexico, Air Canada, Emirates e Etihad.

Com a Livelo, além das três nacionais, temos paridade 1:1 somente com o Miles&Go da TAP (este com a gama de parceiros Star Alliance mais Emirates). E somente estes quatro recebem, com certa frequência, bônus na transferência de pontos. Outros internacionais que podem ser úteis, sofrem deságio (Lifemiles 1:1,3; United, British, Air France 1:2) e não recebem bônus.

Pensando em números: não é difícil termos promoções oferecendo 10 pontos Livelo por real gasto. Ignorando por enquanto as luso-brasileiras e já levando em conta os deságios, seria o mesmo que termos 22 pontos por dólar gasto para United, British, Air France ou 34 para Lifemiles. Nas promoções de 12 pontos, 26 ou 40. E nas mais difíceis de 15 pontos, 33 ou 50. Os “WWWWOOOOOWWWWW”s mal caberiam nos títulos.

Algumas Boas Emissões

Avaliando os custos de emissões, existem ainda situações favoráveis. Comparando Miles&Go com 100% de bônus de transferência e Smiles com 80% (ambos com boa frequência) com United, American e Delta 1:1, temos (sempre em classe executiva, ida e volta):

. Brasil p/ América do Norte: M&G 50k; UA 120k; AA 115k.

. Brasil p/ Europa: M&G 115k; SM 269k; UA 175k; DL 180k; AA 175k.

. Brasil p/ Oriente Médio: M&G 130k; SM 145k; UA 180k; DL 210k; AA 180k.

. Brasil p/ Ásia: M&G 130k; SM 246k; UA 170k; DL 200k; AA 235k.

. Am. do Norte p/ Ásia: M&G 115k; SM 118k; UA 160k; DL 170k; AA 130k.

. Europa p/ Ásia: M&G 115k; SM 143k; UA 150k; DL 180k; AA 150k.

O que temos então? O Miles&Go é a tábua de salvação dos milheiros brasileiros. Com emissões saindo do Brasil e o bônus, o programa é bastante vantajoso. Já para utilizá-lo de outros continentes, a margem de vantagem já é mais reduzida. Mesmo que, apenas em sonho, a Livelo adicionasse as companhias americanas como parceiras sem deságio, ainda assim seria melhor utilizar o Miles&Go com os seus bônus de transferência.

Já em relação a Smiles, a situação é um pouco diferente. Começa com a dificuldade de encontrar vagas disponíveis nos parceiros. Para Am. do Norte, Delta e Aeroméxico desapareceram, vamos ver como e quanto vai ser com a American. Europa, só Air France e KLM com “precinhos módicos”. E Oriente Médio, aparecer vaga na Qatar só com eclipses solares.

Mas mesmo supondo que a disponibilidade fosse farta, os valores cobrados, com bônus de 80% (não sei se teremos 100% ou mais de novo, mas ainda assim), são bastante próximos do AAdvantage. Me parece mais interessante, se a Star Alliance não for uma opção, utilizar o cartão Santander AAdvantage e pontuar 2,0 diretamente no programa, tendo ainda a facilidade de combinar diversos parceiros na mesma emissão.

Resumindo …

Voltando então ao início: os programas nacionais com certeza irão piorar mais, mas chegamos em um ponto em que não é preciso mais cavar o poço, melhor jogar logo a pá de cal. Já o Miles&Go segue sendo a solução e, neste ponto, temo que será mais um programa a engrossar a lista de desastres do noticiário e aumentar a necessidade de anti-depressivos. Achava que uma desvalorização aconteceria no fim do ano passado, felizmente não ocorreu e espero que continue não ocorrendo, mas alegria de milheiro dura pouco, ultimamente.

Comparando os mercados, acumular milhas no Brasil é muito mais fácil que nos EUA. Não temos os famosos bônus de adesão dos cartões de crédito americanos, mas os bônus de transferência mais do que compensam isto.

O problema chega na hora de utilizar as milhas. Está ficando cada vez mais difícil resgatar passagens, seja pela falta de vagas, seja pelos altíssimos valores cobrados.

Não sei se na Inglaterra há alguma diferença significativa e o Cláudio pode explicar melhor. Mas partir para programas de milhas estrangeiros parece que vai virar a solução.

Algumas Palavras

Concordo com o Carlos e com o Henry. Está bem difícil escolher um programa brasileiro que tenha uma boa relação custo-benefício. Aqui no Brasil, agora estou só com o Clube Livelo e sem muita perspectiva de boas emissões que, como todos sabem, estão cada vez mais raras …

E vocês? Como estão se sentindo em relação aos programas?

Agradeço mais uma vez ao Carlos pela generosidade em compartilhar seu conhecimento conosco.