Porque você deve ler as regras tarifárias antes de comprar seu bilhete aéreo

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Sala VIP Flagship Lounge AA ORD Fev 2017

[Este é o segundo tutorial sobre como encontrar os melhores preços de passagens aéreas. Você pode conferir os outros tutoriais através dos links abaixo:
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Se você chegou até aqui, já sabe como as tarifas aéreas são organizadas para formar o preço final de seu bilhete. Antes de começar a pesquisar a disponibilidade de trechos para compra, é importante verificar a regra tarifária relacionada à tarifa básica de seu interesse.
Se você utiliza o ExpertFlyer para procurar as tarifas básicas de uma determinada rota, poderá acessar facilmente suas regras tarifárias. Caso não utilize o ExpertFlyer, existem outras maneiras de visualizá-las. A primeira é procurando diretamente na página de compra do bilhete, veja o exemplo no site da Gol onde é possível verificar a tarifa após selecionar o seu bilhete:
Exemplo de regra tarifária - Site da Gol
Caso você não encontre as regras tarifárias diretamente na página de compra, procure o mesmo bilhete no ITA Matrix, selecione os resultados e, na página de detalhamento do bilhete clique em RULES.
Exemplo de regra tarifária - Site ITA Matrix
O preço do bilhete está um pouco diferente do site da Gol pois o ITA Matrix só está disponibilizando bilhetes em classe Y quando pesquisamos com cidades de venda brasileiras. Desta forma, pesquisei com cidade de venda Nova Iorque e moeda Reais e a conversão de Dólar para Real deu essa pequena diferença.
ITA Matrix - Cidade de venda Nova Iorque
Mesmo que você não tenha definido a cidade de compra, o ITA Matrix define como padrão a cidade de origem da pesquisa, neste caso, São Paulo.
Após clicar em Rules, você verá uma lista de regras segmentadas por categorias.
Esta tarifa é interessante, pois é bem restrita, o que não é estranho já que o preço associado a ela é bem em conta.
As categorias são as mais diversas como Notas Gerais, Restrições de voo, Restrições de stopover, etc. Veja que para conseguir comprar a passagem nessa tarifa é necessário que a reserva seja feita no máximo 60 dias antes da viagem e a emissão do bilhete em até 3 dias após esta reserva, como dita a regra 5.
Regras Tarifárias - Regra 5
Já a regra 8 informa que não é permitido fazer stopovers com esta tarifa. E que para ser considerado stopover, a conexão tem que durar mais de 6 horas. Então se você não encontra disponibilidade na classe B, para voar nesta tarifa no voo direto de CGHSDU, pode tentar um CGHCWBSDU, desde que a conexão não dure mais de 6h.
Regras Tarifárias - Regra 8
A regra 10 informa se esta passagem pode ser combinada com bilhetes de outras companhias ou até mesmo com a própria Gol. Neste caso, não é permitido para outras companhias além da Gol. Esta é uma das regras mais importantes, principalmente para bilhetes internacionais, pois ela que ditará se você pode pegar um voo, por exemplo, da American Airlines de Nova Iorque para Londres, e depois voar com a Iberia de Madri para Lisboa e toda essa viagem ser emitida sob o mesmo localizador/PNR. Além disso, você consegue analisar se é possível realizar open jaws ou criar trechos adicionais dentro de uma reserva.
Regras Tarifárias - Regra 10
Por fim, a regra 16 dita as penalidades referentes a modificações do bilhete e cancelamentos. É outro importante item pois, como em qualquer lugar, imprevistos acontecem. É ali que você encontrará as multas e valores cobrados quando você não puder utilizar o bilhete.
Regras Tarifárias - Regra 16
Existem várias outras regras detalhadas para cada tarifa e eu sugiro que você leia algumas nos sites de passagem ou no próprio ITA Matrix para entender as diferenças que aparecem entre variadas origens/destinos/companhias aéreas/etc.
Ta bom Paulo, já li aqui e percebi o que pode e o que não pode. Em que isso me ajuda?
Se você já reparou, eu gosto muito de dar exemplos e, para concluir esse tutorial, não será diferente.
Em julho (alta temporada) do ano passado eu voei os seguintes trechos por R$1.500, já com as taxas, comprando o bilhete apenas 1 mês antes da viagem:

1º trecho: Uberlândia a Santiago do Chile / 2º trecho: Santiago para Buenos Aires / 3º trecho: Montevidéu para Uberlândia
1º trecho: Uberlândia a Santiago do Chile / 2º trecho: Santiago para Buenos Aires / 3º trecho: Montevidéu para Uberlândia

Vamos ao histórico!
Infelizmente tive que tirar férias em julho por requisições do projeto que eu estava participando e isto ficou definido em “cima da hora” (1 mês antes). Comecei a pesquisar diversos destinos e amigos que iriam ao Chile fizeram o convite para acompanhá-los. O preço da passagem de ida e volta para o Chile estava em torno de R$1.400 com as taxas para saídas de Uberlândia. Eles haviam conseguido ida e volta por 20 mil pontos Multiplus alguns meses antes, o que não estava mais disponível.
Fui ler as regras tarifárias e haviam duas regras sensacionais ali. A primeira dizia que era possível fazer um stopover por U$50 a mais na tarifa e a segunda dizia que era possível fazer um open jaw por U$70 a maisAproveitando as permissões da regra tarifária, haveria um adicional de cerca de R$550 no preço final do bilhete porém a volta de Santiago para Uberlândia não iria mais existir. Pesquisei vários destinos na América do Sul antes de definir Buenos Aires e Montevidéu mas no fim, me pareceu a melhor alternativa já que o open jaw entre as duas cidades poderia ser feito através de barco, uma experiência que não havia tido ainda. Além disso, foi uma forma de eliminar a taxa de embarque dos nossos queridos hermanos, que não é nada convidativa.
No final das contas, consegui viajar muito mais do que havia previsto simplesmente verificando uma regra tarifária, já que se não tomasse conhecimento destas permissões, poderia ter pago quase o mesmo valor apenas para ir e voltar para Santiago.
Desta forma, fica claro o quão importante é ler as regras de um bilhete antes de adquiri-lo.
Espero que tenha gostado do tema abordado e qualquer dúvida/crítica/sugestão, é só comentar!