Programas brasileiros: como vai ser 2019?

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Estamos chegando ao final de 2018, um ano particularmente difícil para os milheiros brasileiros. Temos quatro programas de milhas brasileiros e dois deles sofreram alterações tão profundas que ficaram inviáveis por motivos diferentes, e foram justamente os programas afiliados a duas alianças globais.

Na minha opinião, há três aspectos a serem considerados na escolha de um programa de milhas: a facilidade de se conseguir status e seus benefícios, a facilidade de acúmulo de milhas, e a facilidade e quantidade de milhas necessárias para resgates.

Como esses aspectos irão refletir nos programas brasileiros em 2019?

AMIGO

Para quem voa com frequência, não é muito difícil conseguir status Ouro com o Amigo, que garante Gold na Star Alliance – que é o único nível de status que vale a pena na aliança. Os benefícios Gold da Star, todos vocês conhecem e são excelentes. Quem ainda não conhece, clique aqui para conhecer.

Entretanto, o Amigo decidiu ser inviável via tabela de resgates. Qual seria a motivação de ser fiel à Avianca Brasil / Star Alliance via Amigo se o resgate exige uma quantidade surreal de milhas?

Há dois outros poréns em relação ao Amigo também: o primeiro foi o comportamento do programa para com os clientes, que foi fartamente divulgado aqui no blog e em alguns outros blogs de milhas. O segundo é a insegurança quanto à situação da Avianca: em recuperação judicial, quem garante o que vai acontecer daqui para a frente?

Pode ser que os rumores de compra da United se concretizem e o programa esteja são e salvo. Mas se a empresa não conseguir se reestruturar, o risco de perda do patrimônio que são as milhas é muito grande.

LATAM Fidelidade

Membro da Oneworld, o LATAM Fidelidade é outro programa filiado a uma aliança mundial. Até 2018, conseguir status Sapphire ou Emerald era um objetivo possível para quem é viajante frequente.

Entretanto, a incorporação da Multiplus pela LATAM levou a um verdadeiro tsunami no programa. Para se atingir LATAM Platinum, Black ou Black Signature é necessário um gasto enorme de dinheiro – bem mais do que via AAdvantage ou Iberia Plus, por exemplo.

Como programa de passageiro frequente (e não como programa de acúmulo de pontos), o Fidelidade se tornou impossível. Agora, a tabela de resgate com as parceiras ainda está razoável, apesar de sofrer um aumento a partir de janeiro de 2019.

A questão será a seguinte: até agora é possível acumular/comprar pontos via Livelo e transferi-los para a Multiplus em grandes quantidades. Mas será que isso será mantido depois da incorporação?

Se a resposta for positiva, tudo bem. Será possível resgatar bilhetes-prêmio mesmo não sendo passageiro frequente.

SMILES

O Smiles foi outro programa a mudar radicalmente a sua estrutura – e mudou para pior, é claro. Diferentemente do Amigo e do Fidelidade, o Smiles não pertence a nenhuma aliança, mas mantém parceria com diversas companhias aéreas para o acúmulo e o resgate de milhas.

Até agora, é fácil conseguir atingir o maior status – Diamante. Mas a partir de 2019 a transferência de pontos dos parceiros financeiros não servirá como escada de status, o que vai dificultar sobremaneira a vida dos clientes. Além disso, a pontuação em voos da GOL também será afetada.

Há rumores de que as alterações estão suspensas – não consegui confirmar isso com ninguém da empresa. Parece que os atendentes do call center é que estão passando essa informação.

Uma outra zona nebulosa é a questão da incorporação do Smiles pela GOL, que foi barrada pelos acionistas da empresa do modo como ela havia sido inicialmente planejada. Talvez isso tenha relação com a suposta suspensão das alterações.

É fácil acumular milhas no programa, tanto voando GOL como com as parceiras aéreas e financeiras. O problema é o resgate …

Há algumas boas oportunidades, especialmente com a Qatar e a Korean, e de vez em quando com a Delta e Alitalia (essa para resgates em cima da hora). Porém, há outros resgates inviáveis – como 220.000 milhas/trecho para voar na executiva da Air France/KLM entre o Brasil e a Europa. Amealhar 440.000 milhas é quase que impossível para o cliente padrão do programa.

Mas acho importante ter status com o Smiles para quem voa em trechos domésticos com mais frequência. A gratuidade dos assentos-conforto e a pré-seleção de assentos no momento da reserva e a possibilidade de antecipar/postergar o voo no mesmo dia são essenciais para o viajante frequente. A malha aérea da GOL é boa e, na minha experiência, os voos não atrasam muito. E o melhor: as milhas acumuladas podem de colocar em uma QSuite …

TUDOAZUL

O TudoAzul é um mistério para mim. Ele é um programa que nunca foi desenvolvido adequadamente e isso é uma pena, porque a Azul tem a melhor malha doméstica do país atendendo a cidades que nenhuma outra companhia brasileira opera. Além disso, ambos hard e soft products são muito bons.

Sem pertencer a nenhuma aliança, o TudoAzul é extremamente limitado. Sua parceria com a TAP e a United nunca decolou de modo satisfatório: a quantidade de milhas para resgate é enorme e, na ponta do lápis, às vezes sai mais barato comprar a passagem.

O TudoAzul também mudou requisitos para alcançar status e a pontuação obtida em seus voos.

Meu desejo é que os responsáveis pelo programa consigam estruturá-lo de forma que ele se torne atrativo para um segmento maior de clientes.

E vocês? Como estão vendo os programas brasileiros para 2019? Alguma aposta?

Amanhã falaremos das perspectivas dos programas estrangeiros mais populares do Brasil.