Qantas: o A380, a First e o unicórnio

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Eu já reparei que tem alguns dias em que há muitas notícias envolvendo uma única companhia aérea. Hoje é um desses dias, e a companhia aérea em questão é a Qantas. Para evitar overposting, estou fazendo um 3 em 1.

Primeiro: o A380

O CEO da Qantas, Alan Joyce, anunciou que o primeiro A380 retrofitado vai entrar em serviço no final de setembro. Ele não será designado para nenhuma rota específica. Então, os passageiros poderão ter uma surpresa ao embarcar na aeronave.

A previsão aproximada é que a cada mês um A380 será retrofitado e será reintegrado à frota. Como a Qantas tem 12 A380, o processo inteiro deverá demorar um ano.

Em relação à primeira classe, aparentemente as mudanças não são significativas. A própria empresa se refere à mudança como refresh e não como refurbish. Abaixo, coloco fotos comparativas.

Qantas First Clas Refresh
Qantas First Class Atual

Mas, em relação à business, a história muda. Atualmente, os A380 contam com o assento antigo – o mesmo dos B747, cuja avaliação pode ser encontrada aqui.

Qantas Business Class B747-400

O A380 vai receber os mesmos assentos do B787-9. A diferença, como vocês podem ver, é gritante. Todos os assentos têm acesso ao corredor, em um layout de cabine 1-2-1, com tela de entretenimento de 16 polegadas.

Segundo: a First no Project Sunrise

A Qantas conta com a primeira classe somente nos seus A380. Mas como alguns sabem, a empresa está desenvolvendo o Project Sunrise, que objetiva ligar Sydney a Londres e a Nova York em voos diretos. Quando o projeto foi lançado em 2017, São Paulo era uma das cidades na lista. Não desanimemos!

Enfim, o Alan Joyce comentou que as aeronaves que farão essas rotas de ultra longa distância – seja o A350-1000 ou o B777-X – contarão com 4 classes, o que incluirá econômica, premium economy, business e first.

O design da cabine levará em conta a duração do voo.

A Qantas pretende oferecer 300 assentos nessas aeronaves e, segundo o CEO, o OK para a implementação definitiva do Project Sunrise será tomada até o final do ano. E Alan Joyce foi bem sincero: será uma decisão econômica.

Caso o Project Sunrise seja confirmado, a ideia é que as rotas comecem a ser operadas a partir do final de 2022, início de 2023.

Eu pessoalmente acho uma temeridade voar em econômica nesses voos – e não é uma questão de vaidade ou arrogância. Estou falando de trombose venosa profunda e outros problemas de saúde.

Terceiro: o Unicórnio

As passagens com milhas quase que impossíveis de serem emitidas são chamadas de unicórnios. A Qantas leva a fama de deixar os clientes dos programas de milhas das companhias aéreas parceiras na mão, praticamente indisponibilizando assentos nas cabines premium para quem não pertence ao seu programa próprio.

Entre Sydney e Santiago do Chile não encontrei um único dia disponível, para qualquer cabine, entre hoje 21 de julho de 2020 (data final da pesquisa no AAdvantage). E a minha pesquisa foi para um único passageiro!

Já entre a Austrália e a Europa, a situação não é diferente. Há raríssima disponibilidade, e os poucos assentos em cabines premium são entre Sydney e Singapura. De Singapura para o Velho Continente, o voo é feito com a British.

Para os EUA, acredito que o sistema esteja com um bug. A disponibilidade aparece, inclusive para a primeira classe, mas a classe de reserva é X, que indica econômica nas parceiras. E as milhas cobradas são para classe executiva – então, muito cuidado!

Há alguns anos, eu consegui, por sorte, emitir uma vez entre Santiago e Sydney (com ida no dia 25 de dezembro e a volta no dia 31). Entretanto, tive um problema e cancelei os bilhetes emitidos. Anos depois, consegui voar com a Qantas entre Tóquio e Sydney.

Bom, são essas as novidades que trago para vocês hoje.

Alguém já conseguiu emitir bilhetes para voar na primeira classe do A380 da Qantas? Com qual programa?