Retomada das operações do Boeing 737 MAX – O que a GOL e a ANAC irão fazer?

6
Retomada das operações do Boeing 737 MAX, o que a GOL e a ANAC irão fazer?

Na semana passada nós publicamos aqui a notícia de que os Boeing 737 MAX seriam liberados pelo FAA, órgão da administração federal da aviação dos Estados Unidos, para voltarem aos céus no dia 18 de novembro. Pois bem, a notícia se confirmou. Porém, a ANAC tem uma opinião diferente que deixa a GOL e seus Boeing MAX em uma situação difícil.

Posicionamento da Boeing

Vejam o posicionamento da Boeing sobre a aprovação do FAA para a retomada das operações do modelo:

Seattle, Washington, EUA – 18 de novembro. A autoridade de aviação civil norte-americana (Federal Aviation Administration ou FAA, na sigla em inglês) revogou hoje o despacho que suspendia as operações comerciais dos Boeing 737-8s e 737-9s. A decisão permitirá que as companhias aéreas que estão sob a jurisdição da FAA, incluindo aquelas que operam nos EUA, tomem as medidas necessárias para retomada da operação da aeronave e que a Boeing comece a fazer as entregas.

 

“Jamais nos esqueceremos das vidas perdidas nos dois trágicos acidentes que levaram à decisão de suspender as operações”, disse David Calhoun, CEO da Boeing. “Esses acontecimentos e as lições que aprendemos com eles redefiniram nossa empresa e concentraram ainda mais nossa atenção em nossos valores fundamentais de segurança, qualidade e integridade”.

 

Ao longo dos últimos 20 meses, a Boeing trabalhou em estreita colaboração com as companhias aéreas, fornecendo-lhes orientações detalhadas sobre armazenamento de longo prazo e garantindo que suas recomendações fossem integradas ao processo de retomada da operação dos aviões com segurança.

Uma Diretriz de Aeronavegabilidade emitida pela FAA especifica os requisitos que devem ser atendidos antes que os operadores norte-americanos possam retomar as operações, incluindo: implementação de melhorias de software, conclusão de modificações de separação de cabos, realização de treinamento de pilotos e execução de uma minuciosa despreservação de aeronaves que garantirá que estejam prontas para a retomada das operações.

 

“A diretiva da FAA é um marco importante”, disse Stan Deal, presidente e diretor executivo da Boeing Commercial Airplanes. “Continuaremos a trabalhar com as agências reguladoras em todo o mundo e nossos clientes para a retomada da operação das aeronaves globalmente”.

 

Além das mudanças feitas no avião e no treinamento de pilotos, a Boeing tomou três medidas importantes para reforçar seu foco em segurança e qualidade.

 

1. Alinhamento organizacional: Mais de 50.000 engenheiros foram reunidos em uma única organização que inclui uma nova unidade de Segurança de Produtos e Serviços, integrando as responsabilidades de segurança em toda a empresa.

2. Foco cultural: Os engenheiros receberam mais autonomia para melhorar a segurança e a qualidade. A empresa está identificando, diagnosticando e solucionando problemas com mais transparência e rapidez.

3. Aprimoramentos de processos: ao adotar processos de design de última geração, a empresa está permitindo níveis maiores de qualidade inicial.

Para mais informações, acesse www.Boeing.com/737-max-updates.

Os aviões estão groundeados desde março de 2019, após o segundo acidente fatal ocorrido com esse modelo, operado pela empresa Ethiopian Airlines. Os dois acidentes fatais (esse e o da Lion Air, ocorrido 7 meses antes) vitimaram 346 pessoas.

A liberação dos aviões é considerada por muitos como vital para a Boeing, que enfrenta a pior crise da sua história, desde os acidentes e o groundeamento mundial do seu novo avião, que foi um sucesso absoluto de vendas desde quando foi anunciado.

A partir de agora, as empresas aéreas deverão completar a atualização dos softwares dos aviões, além de oferecerem novo treinamento a todos os pilotos que irão operar o jato, em um processo que deve demorar pelo menos 30 dias, antes dos aviões voltarem de fato aos céus.

O Boeing B7373 MAX, a GOL e ANAC – Próximos Passos?

No Brasil, a GOL Linhas Aéreas iria iniciar uma ampla substituição dos seus aviões, aposentando diversos 737 NG, que seriam substituídos pelos 737 MAX. Originalmente a empresa tinha encomendado 99 aviões da série 737 MAX 8 e tinha outras 30 encomendas para o 737 MAX 10, a versão de maior capacidade da família 737.

A ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, ainda não liberou o modelo para voltar aos céus do Brasil. Enquanto reconhecem o trabalho feito pelo FAA, eles continuam a trabalhar nos ajustes finais do seu próprio processo de recertificação, conforme divulgaram em seu comunicado:

“O objetivo é demonstrar que o projeto com as modificações propostas é seguro e atende aos requisitos de aeronavegabilidade necessários.

 

A decisão da autoridade de aviação civil norte-americana Federal Aviation Administration (FAA), que aprova as modificações necessárias para que a aeronave volte a ser operada nos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira (18/11), foi resultado de um trabalho realizado em conjunto com a ANAC e outras autoridades de aviação civil no mundo, em especial a autoridade europeia European Aviation Safety Agency (EASA) e a canadense Transport Canada Civil Aviation (TCCA).

 

A partir desta diretriz da FAA, a ANAC procederá com os ajustes finais para conclusão do processo de validação para retorno do modelo Boeing 737- 8 MAX no Brasil. Após o término desse trabalho, o operador brasileiro da aeronave, que atualmente é a GOL Linhas Aéreas, deverá incorporar e demonstrar de forma satisfatória o cumprimento de todas as novas diretrizes, tanto em termos de projeto quanto de treinamento de pilotos.”

A GOL Linhas Aéreas, única operadora do modelo no Brasil, com sete exemplares já entregues, esperam o retorno dos seus 737 MAX às operações da empresa até o final desse ano.

Algumas Palavras

Deixando de lado as discussões a respeito dos acidentes fatais que envolveram o modelo, eu tenho certeza que o avião, após todos os testes de recertificação, será seguro.

O que vocês acham do retorno dos Boeing 737 MAX da GOL aos céus e o posicionamento da ANAC?

Maxmilhas